
"De
Olhos
para o corpo"
"Não é livre quem é escravo do corpo" Sêneca
"Imagem Corporal é o desenho que formamos na nossa mente do nosso próprio corpo; ou a forma como o vemos" (Shilder, 1980)
A distorção da imagem corporal está presente na bulimia e na anorexia e representa um aspecto de difícil abordagem no tratamento.Além disso é um fator determinante no inicio, na manutenção, e nas possíveis recaídas posteriores.
A obsessão pela magreza e/ou perfeccionismo ligado auto-imagem, surge da necessidade de estabelecer um controle absoluto sobre si mesma.
A necessidade de emagrecer ou conseguir um “corpo perfeito“, impede que se tenha uma consciência de si mesmo, o que leva a uma batalha interna que causa angústia e sofrimento. Infelizmente a distorção da imagem corporal impede uma percepção real de si mesma. Por outro lado, a pretensão por uma imagem corporal perfeita e inalcançável ( porque é sustentada por idéias irracionais e percepções irreais ), produz graves distorções perceptivas o que leva a uma permanente insatisfação que vai determinar alguns dos vários comportamentos do seu distúrbio alimentar.
Existe uma percepção incorreta e distorcida de determinadas áreas corporais.
"A imagem corporal é a representação interna da aparência externa" Thompson 1999
Por
que a sua percepção corporal é incorreta e/ou distorcida ?
"Eu olho. Mas não enxergo"
O
nosso cérebro não diferencia o real da ilusão Ex : se você sente medo de
cachorro você terá as mesmas sensações físicas e mentais de medo, (sendo
ele real ou fantasia). Pacientes que sofreram amputações sentem sensações
como dor e coceira no “membro fantasma”. Um fantasma, no sentido usado pelos
neurologistas, é a imagem ou memória persistente de parte do corpo, geralmente
um membro, durante meses ou anos após a sua perda. Tudo isso é real. A sensação
de dor real, mas o membro não é real. Você pode ter a sensação (através de
uma percepção distorcida) de que sua barriga é grande demais para o restante
do corpo, (ou de que ingerir uma grande refeição
a faz gorda), mas isso não é real.Quando você “acha” que é real,
o seu sistema muda e reage como
realidade. Tudo o que vivemos está de acordo com o que vivemos “na cabeça”.
TUDO É SENSAÇÃO.
Viver é ter sensações. Se você perde os sentidos, não tem mais o “lá fora”. Nosso corpo é sentido através dos nossos cinco sentidos e de um outro sentido chamado propriocepção, esse sentido é indispensável ao nosso sentido de “nós mesmos“, afinal, é graças á propriocepção, que sentimos nossos corpos como próprios de nos mesmos, como nossa “propriedade”, como nossos. O nossos sentido do corpo, portanto, é dado por três coisas: a visão, os órgãos do equilíbrio e a propriocepção.
Tudo o que sentimos (bom ou mau) é provocado por nossas atividades mentais. Você escolhe.
Como
mudar ?
Para mudar a sensação você tem que mudar a idéia. Toda as suas sensações são produto do seu pensamento. Em primeiro lugar você tem que entender este conceito. Acreditar que o que parece e, é sentido como real com relação ao tamanho e aparência do seu corpo não é REAL. Se existe uma sensação corporal “deficiente” ou distorcida (caso da bulimia e anorexia), o que experimentamos em relação aos nossos corpos, ou parte deles, é algo estranho, como estivéssemos, “cegos e surdos” em relação a nós mesmos. Não enxergamos e nem ouvimos os nossos corpos, ficamos alheios a eles; ele passa a ser um desconhecido.
Vamos começar a ampliar a percepção geral do corpo em sua totalidade, uma primeira aproximação em relação à conscientização corporal pode ser realizada através de exercícios que permitam uma “maior aproximação” do corpo.
Exercício: Em uma folha de papel escreva como você vê e sente cada parte do seu corpo (barriga, braços, pernas, coxas, nádegas,etc...) procure realizar uma descrição detalhada sobre o que você vê , sem esquecer de identificar quais sentimentos e sensações estão associadas àquela parte. Procure também, fazer associações com os sentidos como (quente, frio, morno, gelado, claro, escuro (use as cores) e ate sons ou musicas). Tudo isso vai fazer com que você comece a desenvolver uma maior percepção corporal, vai aproxima-la do seu corpo.
Texto: Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
Copyright©2003 GATDA Todos os Direitos Reservados

"Um Olhar de dentro, que contrasta com um olhar de fora" Cash, Deagle, 1997
Paul Valery (1957), nas suas "Reflexões Simples Sobre o Corpo", considera que nós temos três modos de percepção e uso do corpo:
O corpo que se manifesta na relação imediata com o Eu, ou seja o corpo que tenho, ou o meu corpo.
O corpo que se evidencia aos outros na aparência, isto é o corpo da minha fachada publica, que assume a função social.
O corpo anátomo-fisiológico do saber médico, o corpo que eu só conheço porque foi objeto de estudo.
"A permanente insatisfação corporal e a superestimarão da imagem corporal constituem fatores negativos para o prognostico da doença" (Slade, 1985)
A distorção da imagem corporal engloba os seguintes aspectos:
Cognitivos: expectativa irreal de possuir um "modelo" corporal especifico
Comportamentais: evitam situações nas quais o corpo possa estar em evidencia
Perceptuais: super estima do tamanho do corpo
A distorção da imagem corporal nos transtornos alimentares pode ser percebida através dos seguintes sinais:
Grande insatisfação com o corpo, que se manifesta como uma "repulsa" do mesmo.
Negação da "magreza", ainda que a pessoa esteja com um peso extremamente baixo.
Contínuos comentários e queixas de que está "gorda", ainda que tenha um peso abaixo do saudável.
Queixas de insatisfação com o corpo, acreditando que a única forma de "melhorar" esta insatisfação é perdendo mais peso ( o que contribui para que sejam iniciadas, e/ou mantidas dietas restritivas, e o uso de laxantes, diuréticos e/ou vômitos).
Emoções e reações negativas sobre seu próprio corpo.
Queixas freqüentes sobre "defeitos" no corpo, ainda que sejam imperceptíveis para o resto das pessoas que convivem com a paciente.
“Enxergar” o tamanho de certas partes do seu corpo maiores do que são.
Evitar certas situações em que tenha que mostrar alguma parte do corpo (biquínis, mini saias, camisetas, etc..
Esconder ou dissimular certas partes do corpo. Usando roupas largas, varias "camadas" de roupas, mangas compridas, etc.
Baixa auto-estima, a qual depende totalmente do peso que tenha. Vai perdendo o interesse por atividades e coisas que antes desfrutava.
Muito autores estão de acordo que um aspecto muito importante no inicio dos transtornos alimentares é a insatisfação com o corpo e/ou a alteração da imagem corporal. Por isso a imagem corporal é um fator muito importante na recuperação dos transtornos alimentares.
Você provavelmente deve ter
ouvido falar de pessoas preocupadas com a imagem corporal, que desenvolvem distúrbios
alimentares como anorexia nervosa ou bulimia,
essa preocupação é chamada de “distúrbio dismórfico corporal”
(DDC). A categoria geral do DDC refere-se a uma preocupação excessiva com a
imagem corporal, os seus portadores estão constantemente perturbados com uma
coisa “terrivelmente errada” em sua aparência, quando de fato parecem ótimos
perante os olhos dos outros. No DDC a preocupação pode estar relacionada com
qualquer parte do corpo, cabelo, pele, nariz, barriga,altura etc...
Você pode realmente estar sofrendo de
dismorfia da imagem, ou Distúrbio Dismórfico Corporal.
A preocupação excessiva com um defeito imaginário na aparência física,
uma desordem grave já classificada como doença.Muitos que sofrem como ela
-homens e mulheres- se refugiam em dietas drásticas, exercícios físicos
exagerados, medicamentos ou cirurgias plásticas.
Um trabalho realizado pelo departamento de Psicologia do Instituto Central do
Hospital das Clínicas de São Paulo, realizou um estudo aonde entrevistaram 346
adultos "normais" da cidade de São Paulo com o objetivo de medir o
Distúrbio Dismórfico Corporal, ou a preocupação com um "defeito imaginário
na aparência física" que acarreta prejuízos afetivos e sociais na vida
da pessoa.
A
pesquisa confirma o "relacionamento com o corpo como um dos maiores
problemas atuais".
"O pecado migrou da cama para a mesa, não é mais o sexo, é a
comida". "O corpo perdeu o sentido de ser um veículo de experiências,
do sentir, do fazer sexo. O corpo hoje é só um objeto de apresentação, para
ser olhado, fotografado. É para ser insinuado, desejado, mas um desejado que não
vai ser vivido.” ·
A pesquisa mostrou que 17% dos entrevistados tinham prejuízos sociais e
pessoais decorrentes da preocupação com a aparência, como problemas na
escola, no trabalho e nos relacionamentos.
Cerca de 67% das mulheres se "imaginam cortando porções de seu corpo em
cirurgias plásticas" e 5,6%, entre homens e mulheres, já fizeram uma plástica
e continuavam esperando por outra.
"É um problema emocional em relação a um defeito que se imagina e
amplia".
Na pesquisa, 36% das mulheres disseram não gostar de uma parte do corpo, 18% não
gostam de duas e 4% não gostam de nenhuma parte. A barriga é à parte que
menos gostam: 33% das mulheres e 22% dos homens afirmaram não gostar dela.
Sempre
que você se perceba tendo uma visão “errada” de alguma parte do seu corpo;
lembre-se que tem essa distorção da imagem, e que, por isso, é melhor julgar
a sua imagem em função de: opinião
de pessoas nas quais você confia e, o tamanho das roupas que você usa.
Lembre-se
que seu julgamento sobre o seu corpo não é real, considere que você está,
momentaneamente daltônico com relação a sua imagem.
Os distúrbios alimentares são doenças de origem complexa e multifatorial. Quando se inicia um processo de recuperação este sempre deve ser acompanhado de medidas preventivas que devem atuar sobre o maior numero possível de fatores que possam ter sido responsáveis por desencadear a doença. Para isso é muito útil que se conheça e “trabalhe” com as características mais comumente presentes nos distúrbios alimentares. Começa-se com uma reestruturação cognitiva. Aonde vamos corrigir os pensamentos errôneos e aprender estratégias de resolução de problemas. Entre as características mais presentes pode-se salientar:
Obsessão pela magreza, Descontentamento com o corpo, Perfeccionismo, Desconfiança interpessoal, Consciência interoceptiva, Ineficácia. As duas primeiras estão diretamente ligadas com o peso e a imagem corporal, as outras estão ligadas ao comportamento e pensamentos.
O que é consciência interoceptiva ?
A consciência interoceptiva está ligada com a confusão em reconhecer e responder aos estados emocionais. Também está relacionada com a incerteza na identificação de determinadas sensações físicas relacionadas à fome e a satisfação.
Dados retirados de
observações clinicas e experimentais parecem apoiar a existência de
alterações interoceptivas na anorexia nervosa. Não se sabe muito bem se os estímulos
interoceptivos, principalmente aqueles relacionados com a fome e com a
saciedade não são percebidos, ou se são percebidos de maneira anômala. Também
não esta claro se isto se deve a uma característica prévia ao inicio do
transtorno, ou se é uma conseqüência do mesmo. De qualquer forma, o que parece
certo é que existem alterações interoceptivas me certos pacientes (Toro e
Vilardell, 1987).
Mais recentemente, Leon, Fulkerson, Perry e Early (1995) propuseram que o escasso conhecimento das sensações interoceptivas poderia ser um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento d de um transtorno alimentar.
Já que a confusão em reconhecer e responder aos estados emocionais está freqüentemente relacionada aos transtornos alimentares. Não fica difícil entender porque muitas vezes você não sabe bem quando tem fome, ou sente-se inchada depois de uma refeição normal.
Muitas vezes você pode ter pensamentos e sentimentos que parecem surgir espontaneamente, só que eles sempre surgiram de um pensamento anterior. Ex: “Comi demais, não consigo me controlar”. Esse tipo de pensamento vai desencadear sentimentos e ações poderosas que surgem tão rápido (necessidade de vomitar) que você não tem consciência do pensamento, parece que é automático.
Mas você pode mudar ou deter este pensamento, conhecendo-o, pode mudar o sentimento e/ou para a reação (vomitar, ter ataque de compulsão). Para aumentar a consciência interoceptiva você tem que aprender a ter conscientização (tornar consciente, conhecer entender). Através da conscientização você vai ter um controle cada vez maior desses processos de pensamento.
Muitas vezes os seus pensamentos são conscientes, mas falsos (são ilusões).
Se você comer, o volume gástrico aumenta e você pode ter uma sensação de plenitude gástrica (estomago cheio). Quando isso acontece você pode dizer para si mesma: “Meu estomago está cheio”, “engordei”, “tenho que vomitar”. Só que o seu estomago vai se dilatar tanto com uma garrafa de 500 ml de água, ou de sopa de legumes (embora isso não engorde),e, daí você vai pensar “engordei”, por causa da sensação de estomago cheio, e, daí vai “precisar” vomitar. Daí a necessidade de “ensinar” a interpretar as suas sensações e experiências, isso é chamado de restauração. Para isso você deve identificar o maior numero possível de comportamentos e sensações. Daí a importância do diário alimentar. Outra maneira de recuperar essa consciência interoceptiva é “graduar a sua fome”. Para isso você vai aplicar a técnica dos seis pontos.
Espere, permita e aceite que a fome apareça
Quando a fome chegar, pare, espere e deixe-a acontecer
Concentre-se naquilo que vai comer AGORA no presente
Classifique seu nível de fome de 0 a 10. Observe-o
Se alimente de acordo com o seu nível de fome
Auto avalie o seu nível de satisfação de 0 a 10
Texto:
Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
Copyright©2003 GATDA Todos os Direitos Reservados
Bruchon-Schweitzer (1990), ao analisar as diferentes representações do corpo, identificou dentre os quatro invariantes funcionais do corpo a Satisfação Corporal, que é a dimensão avaliativa predominante quando alguém confronta os desempenhos do seu corpo com as suas necessidades, desejos e expectativas. Sendo a satisfação corporal uma variável intermediaria entre os fenômenos motivacionais e processos cognitivos, constituindo um elemento estabilizador do auto conceito e da auto-estima.
A satisfação corporal é um processo de desenvolvimento continuo e ativo, que s se reestrutura permanentemente,influenciada por um conjunto de experiências sensoriais.A importância das relações sociais, culturais e fisiológicas, são determinantes para sua formação.
Um estudo feito no Rio de Janeiro com 844 adultos mostrou que, os dois sexos, especialmente as mulheres, estão freqüentemente insatisfeitos com seu peso corporal, já que apenas 22% dos homens e 15% das mulheres desejavam manter seu peso corporal atual relatado e a maioria dos indivíduos dos dois sexos desejava perder peso. Ao relatarem os valores de peso e altura, em geral, houve uma tendência a superestimar a altura e subestimar o peso, o que indica novamente que, nem sempre as pessoas se vêem como realmente são.
Como as pessoas se vêem e como são?
No estudo realizado por Araújo (2003) a respeito da satisfação com o peso
atual revelou resultados interessantes a respeito da auto-imagem do brasileiro.
Veja a seguir:
-
Há uma grande insatisfação com o peso
corporal e percepção distorcida, para ambos os sexos, sendo mais intensa entre
as mulheres.
- As mulheres adultas tendem a se considerar com excesso de peso quando, na
verdade, possuem pesos corporais compatíveis com suas respectivas alturas.
- A maioria das mulheres obesas percebem o excesso de peso e se mostram
insatisfeitas com o corpo.
- As adolescentes do ensino médio desejam pesar 4,8kg a menos do peso real;
- 1% das mulheres do estudo relatou ter anorexia e bulimia
- Já os rapazes possuem uma auto-imagem corporal mais compatível com o seu
peso real estando mais satisfeitos do que as mulheres;
- Alguns jovens desejam pesar mais e apresentar músculos mais desenvolvidos;
- Os adultos desejam perder peso e a indesejada “barriga”.
- 75% das pessoas que não estava satisfeita com o peso era sedentária.
Texto:
Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
Copyright©2003 GATDA Todos os Direitos Reservados
como as mulheres encaram a beleza ?
Uma pesquisa mundial mostra como as mulheres encaram a beleza, os padrões estabelecidos pela mídia e seus efeitos na sociedade
2% das mulheres se descrevem como belas
59% acreditam que mulheres fisicamente atraentes são mais valorizadas pelos homem
68% concordam que a mídia utiliza padrões irreais e inatingíveis de beleza
75% querem que a mídia retrate a beleza com pessoas normais
76% dizem que a mídia retrata a beleza baseada mais na atratividade física do que na beleza
77% disseram que a beleza pode ser alcançada também por meio das atitudes e outros atributos não relacionados com a aparência física
54% das brasileiras já considerou submeter-se a cirurgia plástica
Na ânsia de se enquadrar nos atuais padrões de beleza, milhares de pessoas travam uma busca insaciável pela perfeição física. Para obter o corpo escultural e a aparência jovial, enfrentam cirurgias plásticas, experimentam os mais variados tipos de tratamento, alteram hábitos alimentares, entre tantas outras alternativas.
Mas o que é ser bonita? Será que essa busca incessante significa sempre saúde e bem-estar ou se dá apenas pela necessidade de alcançar o padrão estabelecido?
Para obter respostas
reais a essas perguntas e saber mais sobre beleza, auto-estima e os efeitos da mídia
no universo feminino, Dove, marca da Unilever, encomendou uma pesquisa global à
empresa StrategyOne, com coordenação das doutoras Nancy Etcoff, cientista,
psicóloga e professora da Harvard University (EUA), e Susie Orbach,
psicanalista da London School of Economics e autora de nove livros.
Envolvendo 3.200 mulheres, entre 18 e 64 anos de idade, de dez países (entrevistas realizadas entre fevereiro e março de 2004), EUA, Canadá, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Holanda, Brasil, Argentina e Japão, o estudo identifica os componentes dos novos padrões de beleza, incluindo felicidade, relacionamento, autoconhecimento e cuidados pessoais. E conclui que as mulheres estão mais propícias a estarem satisfeitas com suas vidas e seu bem-estar. No entanto, um número muito baixo delas se define como 'bela'.
A maioria das mulheres está insatisfeita com sua beleza e atratividade física. Para elas o peso e a forma do corpo ainda incomodam. As mulheres japonesas têm o maior índice de insatisfação física (59%), seguidas pelas brasileiras (37%), inglesas e norte-americanas (36%), argentinas (27%) e holandesas (25%). Não é à toa que o ranking de países que mais fazem plástica no mundo, em todas as idades, tem Estados Unidos, México e Brasil, consecutivamente, nas primeiras colocações. As informações são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps - International Society of Aesthetic Plastic Surgery), com dados referentes a 2003.
O Brasil possui um dos menores índices de satisfação com a beleza. Apenas 1% das mulheres se descreve como 'bonita', e 6% como 'bela'. O único país abaixo desse índice é o Japão, com 0%. Além disso, o Brasil é um dos países que mais valoriza as modelos: 13% afirmam que só as 'top-models' são verdadeiramente bonitas.
A pesquisa mostra que 54% das brasileiras já considerou submeter-se a cirurgia plástica e 7% relatam ter feito algum tipo de intervenção, a taxa mais alta entre os países pesquisados.
'Hoje em dia, a mulher média compara seus dotes genéticos com os de algumas poucas modelos escolhidas a dedo. Apesar da beleza surreal, a mídia insiste que essa beleza é alcançável por meio de trabalho árduo, esforço e a compra do produto certo. No passado, invejávamos nossos vizinhos, porque este era o mundo que conhecíamos. Deve ter sido um pouco mais confortante: uma coisa é vencer o concurso local de beleza, outra é ser confrontada com o 1% 'top' do mundo', afirma a pesquisadora Nancy Etcoff. Para ela, a mídia é, de certa forma, responsável pelo aumento da insatisfação das pessoas com seus corpos, ao retratar e destacar apenas tipos exuberantes de físico.
Como parte inicial da metodologia da pesquisa, foi desenvolvida uma revisão literária sobre beleza. Para que o estudo ganhasse 'corpo' e pudesse se encaixar nos diferentes padrões mundiais, foram analisadas pesquisas acadêmicas, artigos jornalísticos, internet e diversas publicações.
Este trabalho possibilitou uma melhor compreensão global do assunto e revelou alguns dados tão curiosos como alarmantes. Um artigo no jornal ´Time Asia`, de 2001, por exemplo, relata que as chinesas estão se submetendo a cirurgias para extensão das pernas por acreditarem que isso as ajudaria no mercado de trabalho. Em Israel, pesquisadoras concluíram que a anorexia nervosa aumentou assustadoramente, provavelmente como conseqüência das mudanças culturais e a influência dos valores ocidentais. Outro estudo analisado mostrou que culturas isoladas adotaram rapidamente padrões ocidentais, uma vez expostas à televisão.
No British Journal of
Pyscghiatry, em 2002, pesquisadores da Harvard Medical School descobriram que as
mulheres das Ilhas Fiji - expostas à televisão - aumentaram drasticamente o
desejo por dietas. A Dra. Anne Becker, chefe da pesquisa, entrevistou dois
grupos de meninas de Fiji algumas semanas antes da chegada da televisão, em
1995, e depois, novamente em 1998. Na primeira parte do estudo, a dieta foi
classificada como um conceito 'não familiar'. Três anos depois, 69% das
meninas tinham se submetido a dietas, três quartos se sentiam 'muito grandes ou
gordas' e um oitavo sofria de bulimia. O estudo conclui que 'o impacto da
televisão parece ser especialmente profundo, dadas as antigas tradições
culturais que anteriormente pareciam proteger contra dietas, purgação e
insatisfação corporal no País'.
Dicas
para melhorar a sua auto-imagemM
Dicas
para melhorar a sua auto-imagem:
Vista
roupas com as quais você sinta-se confortável. Não use roupas muito
justas ou que restrinjam os seus movimentos. Não adie a compra de roupas
que você gosta, faça isso agora ! Vista-se de maneira a expressar você
mesma, não para impressionar os outros. Você deve se sentir bem nas roupas
que usa.
Corte
as etiquetas das suas roupas. O tamanho nas etiquetas não deve determinar o
seu humor, seus sentimentos ou sua maneira de se “ver”.
Fique
longe das balanças. Na verdade, mantenha distancia delas. Se o seu peso
necessita ser monitorado (no caso da anorexia), deixe para se pesar a cada
dez dias. Quanto você pesa, nunca deve afetar sua auto-estima ou o senso de
quem você realmente é.
Antes
de se olhar no espelho, pense de maneira otimista. Quando você começa o
seu dia, decida como você está se sentindo antes
de se ver no espelho. Ninguém parece
bem com uma “cabeça ruim”, cheia de maus pensamentos sobre si mesma, e,
seus sentimentos e humor não são determinados
pelo reflexo do que você vê (lembre-se que os distúrbios alimentares estão
diretamente ligados a uma distorção da imagem corporal). Comece seu dia
com auto-afirmações, relaxando com um banho, pensando nas coisas positivas
que via fazer durante o dia,e pensando
em todas as coisas que você tem na sua vida, que estão bem.
Fale
com você no espelho. Focalize a sua “visão” nas partes do corpo que
você gosta e lembre a si mesma que é certo apreciar aquilo que você
vê.
Fique
longe das revistas de moda e dietas. Na realidade, a maioria das
mulheres nas revistas, focalizam um ideal de beleza que ninguém na
vida real pode ter. Isto acontece porque as revistas mantêm uma equipe de
profissionais para transforma-las no que as fotos se parecem : perfeitas.
Produtoras de moda, maquiadores, cabeleleiros, especialistas em iluminação,
e programas de computador para retoques de fotos (como “airbrush”). Você
somente pode “olhar” para estas revistas sabendo que elas são “oura
fantasia”, por isso é melhor dizer “adeus” para elas. Invista em
revistas que contribuem para “quem você é”: revistas de noticias,
revistas que se relacionam com Hobbes ou interesses específicos seus (arte,
musica, esportes, comportamento, etc...)
Faça
uma lista com o titulo de “por que eu gosto de mim”. Pense em todas as
coisas sobre você que VOCÊ goste : você é honesta ? criativa ?
inteligente ? leal ? brincalhona ? Pense em todas as
pelas quais você merece se amar e escreva-as. Pendure esta lista no
seu espelho ou em outro lugar, mas a
mantenha ‘sempre a mão “para que você possa se lembrar” dessas
coisas “que a fazem sentir bonita” de verdade ““.
Separe
um tempo para fazer coisas “boas” para o seu corpo. Uma vez por mês faça
uma massagem, manicora, ou limpeza de pele. Tome um banho gostoso. Compre loções
hidratantes ou óleos que tenham um cheiro gostoso ou que provoquem uma
sensação gostosa na sua pele e trate de você mesma. Durma quando sentir
necessidade (mesmo eu seja num horário que os “outros” não estão
dormindo), apenas porque você quer e pode.
Assume
‘riscos “para mudar a si mesma. Pense em coisas que você normalmente não
faz e tente faze-las (você descobrira que o mundo não irá
‘desmoronar”) Ex: se você sempre sai de casa com maquiagem, tente sair
de casa sem, experimente um novo corte de cabelo, fique o fim de semana todo
de pijamas, lave a louça do jantar só no dia seguinte. A questão é:
maquiagem, cabelo, roupas, organização extrema, NÃO fazem de você o que
você é. Prove isso.
Vá
a lugares aonde você nunca vai sozinha.
Você já foi ao cinema sozinha ? Ou tomou um sorvete na sorveteria
sozinha ? estas são experiências de grande valor, o tempo gasto com VOCÊ
mesma, e, está é a primeira pessoa que você precisa para aprender como se
amar,e se agradar, deve ser valorizado. Você não é “alguém ‘ só
quando está com outras pessoas; você é alguém, independentemente de
outras pessoas”.
Esteja
alerta para combater as “vozes negativas”. Quando aquela “vozinha”
da “condenação” fica
pulsando dentro da sua cabeça tentando lembra-la o quão “horrível”
(ou qualquer outro sentimento negativo) você pensa que é, PARE e
transforme estes pensamentos negativos em positivos (pegue a sua lista de
qualidades (porque eu gosto de mim, do tópico anterior). NINGUÉM É
PERFEITO (lembre-se do perfeccionismo) quando você se perceber sendo auto
critica, pare imediatamente, e
de a você mesma um elogio (lembre-se dos seus pontos positivos).
Mantenha-se
ativa. A “terapia do movimento” é algo que ajuda
a melhorar o senso de “eu” de cada um . Experimente Yoga ou Tai
Chi, aulas de karate, caminhadas, andar de bicicleta ou nadar (evite os
esportes competitivos). Reserve trinta minutos, 3 vezes por semana, para dar
uma caminhada. Seja ativa, mas não faça da atividade física uma
“escravidão”, nem a utilize como comportamento compensatório. Não
pense nos exercícios como “forma d emagrecer”, mas sim como uma fonte
de prazer e saúde.
Peça
“um abraço” quando você precisa de um. O abraço pode ser traduzido
com um carinho. Algumas vezes, não existe nada melhor, nem mais necessário,
do que um carinho e/ou uma palavra especial de alguém que se importa com
você,mas, mesmo aqueles que nos amam, não são capazes de “ler a sua
mente”. Diga para a eles quando você estiver tendo um dia ruim e peça um
carinho, um ombro para amparar, ou um ouvido para ouvir.
Lembre-se
que aparência saudável é algo positivo. Isso significa estar bem descansada
(não forçar seu corpo alem do seu limite), se alimentar de maneira saudável e
ter tranqüilidade (esquecer o perfeccionismo exagerado). Isso não significa
nada mais, nem nada menos do que isso .
Lembre-se
da diversificação do mundo. Nós todos somos diferentes e, supostamente o
mundo foi criado dessa forma. Seria incrivelmente aborrecido se nos todos
fossemos exatamente iguais. Essa é uma verdadeira especial experiência. Existe
beleza em cada um, e, esta idéia básica, inclui VOCÊ.
Texto: Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
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O uso da
chamada fototerapia nos transtornos alimentares, particularmente no caso da
anorexia aonde existe uma disfunção da imagem corporal, aparece como um
"instrumento" a mais na construção da, ou melhor na reconstrução
da imagem corporal. Como não existem grandes avanços na área da imagem
corporal nos pacientes com transtornos alimentares. Podemos nos utilizar desta
técnica de maneira experimental. Sabe-se que em uma foto não temos apenas o
aspecto visível, o que nos interessaria. Porque, desta maneira, alguém que se
"visse" como gorda, embora esteja extremamente magra, ao se
"ver" em uma fotografia perceberia a sua magreza. Porem um outro
aspecto envolvido em uma foto (imagem), seriam os aspectos invisíveis, as
evocações e significados que a foto suscita na mente de cada observador. Sendo
que este observador mantém intacto o seu sentido de visão, mas não o da
percepção. A maneira como ele vai se perceber nesta foto, pode não ter nada a
ver com o que ele vê. Se há sensação deficiente (ou distorcida) no sentido
"invisível" da percepção, o que será experimentado então ao olhar
uma foto, será profundamente estranho, o equivalente quase inexprimível a
estar cego ou surdo. Se o sentido de percepção estiver muito comprometido ( o
que é variável), o corpo se tornará, cego para si mesmo, e como sugere a raiz
latina-propius, deixará de possuir a si próprio, de se sentir
como si mesmo. Por isso a fototerapia pode ser benéfica para alguns pacientes,
enquanto que outros permanecerão "cegos", e por isso incapazes de
"verem" o que um retrato é capaz de revelar.
Texto: Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
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