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                          Pablo Picasso, Femme Devant Mirror

                        "De Olhos para o corpo"

 "Não é livre quem é escravo do corpo" Sêneca 

 

 

 

IMAGEM CORPORAL  

"Imagem Corporal é o desenho que formamos na nossa mente  do nosso próprio corpo; ou  a forma como o vemos" (Shilder, 1980)

A imagem corporal é a representação mental do nosso corpo, é a forma como vemos e pensamos o nosso corpo,  também é a forma como acreditamos que os outros nos vêem. 

A distorção da imagem corporal está presente na bulimia e na anorexia  e representa um aspecto de difícil abordagem no tratamento.Além disso é um fator determinante no inicio, na manutenção, e nas possíveis recaídas posteriores.

A obsessão pela magreza e/ou perfeccionismo ligado  auto-imagem, surge da necessidade de estabelecer um controle absoluto sobre si mesma.

A necessidade de emagrecer ou conseguir um “corpo perfeito“, impede que se tenha uma consciência de si mesmo, o que leva a uma batalha interna que causa angústia e sofrimento. Infelizmente a distorção da imagem corporal impede uma percepção real de si mesma. Por outro lado, a pretensão por uma imagem corporal perfeita e inalcançável ( porque é sustentada por idéias irracionais e percepções irreais ), produz graves distorções  perceptivas o que leva a uma permanente insatisfação que vai determinar alguns dos vários comportamentos do seu distúrbio alimentar.

Existe uma percepção incorreta e distorcida de determinadas áreas corporais.

"A imagem corporal é a representação interna da aparência externa"  Thompson 1999

 

Por que a sua percepção corporal é incorreta e/ou distorcida ?  

 

"Eu olho. Mas não enxergo"

 

O nosso cérebro não diferencia o real da ilusão Ex : se você sente medo de cachorro você terá as mesmas sensações físicas e mentais de medo, (sendo ele real ou fantasia). Pacientes que sofreram amputações sentem sensações como dor e coceira no “membro fantasma”. Um fantasma, no sentido usado pelos neurologistas, é a imagem ou memória persistente de parte do corpo, geralmente um membro, durante meses ou anos após a sua perda. Tudo isso é real. A sensação de dor real, mas o membro não é real. Você pode ter a sensação (através de uma percepção distorcida) de que sua barriga é grande demais para o restante do corpo, (ou de que ingerir uma grande refeição  a faz gorda), mas isso não é real.Quando você “acha” que é real, o seu sistema muda e reage  como realidade. Tudo o que vivemos está de acordo com o que vivemos “na cabeça”. TUDO É SENSAÇÃO.

Viver é ter sensações. Se você perde os sentidos, não tem mais o “lá fora”.  Nosso corpo é sentido através dos nossos cinco sentidos e de um outro sentido chamado propriocepção, esse sentido é indispensável ao nosso sentido de “nós mesmos“, afinal, é graças á propriocepção, que sentimos nossos corpos como próprios de nos mesmos, como nossa “propriedade”, como nossos. O nossos sentido do corpo, portanto, é dado por três coisas:  a visão, os órgãos do equilíbrio e a propriocepção.

Tudo o que sentimos (bom ou mau) é provocado por nossas atividades mentais. Você escolhe.

Como mudar ?

Para mudar a sensação você tem que mudar  a idéia. Toda as suas sensações são produto do seu pensamento. Em primeiro lugar você tem que entender este conceito. Acreditar que o que parece e, é sentido como real com relação ao tamanho e aparência do seu corpo  não é REAL. Se existe uma sensação corporal “deficiente” ou distorcida (caso da bulimia e anorexia), o que experimentamos em relação aos nossos corpos, ou parte deles, é algo estranho, como  estivéssemos, “cegos e surdos” em relação a nós mesmos. Não enxergamos e nem ouvimos os nossos corpos, ficamos alheios a eles; ele passa  a ser um desconhecido.

Vamos começar a ampliar a percepção geral do corpo em sua totalidade, uma primeira aproximação em relação à conscientização corporal pode ser realizada através de exercícios que permitam uma “maior aproximação” do corpo.

Exercício: Em uma folha de papel escreva como você vê e sente cada parte do seu corpo (barriga, braços, pernas, coxas, nádegas,etc...) procure realizar uma descrição detalhada sobre o que você vê , sem esquecer de identificar quais sentimentos e sensações estão associadas àquela parte. Procure também, fazer associações com  os sentidos como (quente, frio, morno, gelado, claro, escuro (use as  cores) e ate sons ou musicas). Tudo isso vai fazer com que você comece a desenvolver uma maior percepção corporal, vai  aproxima-la do seu corpo.

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173

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  DA IMAGEM CORPORAL

 

 "Um Olhar de dentro, que contrasta com um olhar de fora" Cash, Deagle, 1997

Paul Valery (1957), nas suas "Reflexões Simples Sobre o Corpo", considera que nós temos três modos de percepção e uso do corpo:

"A permanente insatisfação corporal e a superestimarão da imagem corporal  constituem fatores negativos para o prognostico da doença" (Slade, 1985) 

A distorção da imagem corporal engloba os seguintes aspectos:

A distorção da imagem corporal nos transtornos alimentares pode ser percebida através dos seguintes sinais:

Muito autores estão de acordo que um aspecto muito importante no inicio dos transtornos alimentares é a insatisfação com o corpo e/ou a alteração da imagem corporal. Por isso a imagem corporal é um fator muito importante na recuperação dos transtornos alimentares. 

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DISTÚRBIO DISMÓRFICO CORPORAL

 

Você provavelmente deve ter ouvido falar de pessoas preocupadas com a imagem corporal, que desenvolvem distúrbios alimentares como anorexia nervosa ou bulimia,  essa preocupação é chamada de “distúrbio dismórfico corporal” (DDC). A categoria geral do DDC refere-se a uma preocupação excessiva com a imagem corporal, os seus portadores estão constantemente perturbados com uma coisa “terrivelmente errada” em sua aparência, quando de fato parecem ótimos perante os olhos dos outros. No DDC a preocupação pode estar relacionada com qualquer parte do corpo, cabelo, pele, nariz, barriga,altura etc... Aos olhos dos outros, a sua barriga é tão perfeita quanto às outras partes de seu corpo. A seus olhos, é uma "coisa horrível", que pode atormenta-la e deprimi-la. Mas a imagem que você vê não é aquela que o espelho reflete.
Você pode realmente estar sofrendo  de dismorfia da imagem, ou Distúrbio Dismórfico Corporal.  A preocupação excessiva com um defeito imaginário na aparência física, uma desordem grave já classificada como doença.Muitos que sofrem como ela -homens e mulheres- se refugiam em dietas drásticas, exercícios físicos exagerados, medicamentos ou cirurgias plásticas.
Um trabalho realizado pelo departamento de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas de São Paulo, realizou um estudo aonde entrevistaram 346 adultos "normais" da cidade de São Paulo com o objetivo de medir o Distúrbio Dismórfico Corporal, ou a preocupação com um "defeito imaginário na aparência física" que acarreta prejuízos afetivos e sociais na vida da pessoa.

A pesquisa confirma o "relacionamento com o corpo como um dos maiores problemas atuais".
"O pecado migrou da cama para a mesa, não é mais o sexo, é a comida". "O corpo perdeu o sentido de ser um veículo de experiências, do sentir, do fazer sexo. O corpo hoje é só um objeto de apresentação, para ser olhado, fotografado. É para ser insinuado, desejado, mas um desejado que não vai ser vivido.” ·
A pesquisa mostrou que 17% dos entrevistados tinham prejuízos sociais e pessoais decorrentes da preocupação com a aparência, como problemas na escola, no trabalho e nos relacionamentos.
Cerca de 67% das mulheres se "imaginam cortando porções de seu corpo em cirurgias plásticas" e 5,6%, entre homens e mulheres, já fizeram uma plástica e continuavam esperando por outra.
"É um problema emocional em relação a um defeito que se imagina e amplia".
Na pesquisa, 36% das mulheres disseram não gostar de uma parte do corpo, 18% não gostam de duas e 4% não gostam de nenhuma parte. A barriga é à parte que menos gostam: 33% das mulheres e 22% dos homens afirmaram não gostar dela.

Sempre que você se perceba tendo uma visão “errada” de alguma parte do seu corpo; lembre-se que tem essa distorção da imagem, e que, por isso, é melhor julgar a sua imagem em função de:  opinião de pessoas nas quais você confia e, o tamanho das roupas que você usa.

Lembre-se que seu julgamento sobre o seu corpo não é real, considere que você está, momentaneamente daltônico com relação a sua imagem.

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CONSCIÊNCIA INTEROCEPTIVA

 

Os distúrbios alimentares são doenças de origem complexa e multifatorial. Quando se inicia um processo de recuperação este sempre deve ser acompanhado de medidas preventivas que devem atuar sobre o maior numero possível de fatores que possam ter sido responsáveis por desencadear a doença. Para isso é muito útil que se conheça e “trabalhe” com as características mais comumente presentes nos distúrbios alimentares. Começa-se com uma reestruturação cognitiva. Aonde vamos corrigir os pensamentos errôneos e aprender estratégias de resolução de problemas. Entre as características mais presentes pode-se salientar:

Obsessão pela magreza, Descontentamento com o corpo, Perfeccionismo, Desconfiança interpessoal, Consciência interoceptiva, Ineficácia. As duas primeiras estão diretamente ligadas com o peso e a imagem corporal, as outras estão ligadas ao comportamento e pensamentos.

O que é consciência interoceptiva ?

A consciência interoceptiva está ligada com a confusão em reconhecer e responder aos estados emocionais. Também está relacionada com a incerteza na identificação de determinadas sensações físicas relacionadas à fome e a satisfação.

 Salvador Dali: "The antropomorphic cabinet"Dados retirados de observações clinicas e experimentais parecem apoiar a existência de alterações interoceptivas na anorexia nervosa. Não se sabe muito bem se os estímulos interoceptivos, principalmente aqueles relacionados com a fome e com a saciedade não são percebidos, ou se são percebidos de maneira anômala. Também não esta claro se isto se deve a uma característica prévia ao inicio do transtorno, ou se é uma conseqüência do mesmo. De qualquer forma, o que parece certo é que existem alterações interoceptivas me certos pacientes (Toro e Vilardell, 1987).

Mais recentemente, Leon, Fulkerson, Perry e Early (1995) propuseram que o escasso conhecimento das sensações interoceptivas poderia ser um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento d de um transtorno alimentar.

Já que a confusão em reconhecer e responder aos estados emocionais está freqüentemente relacionada aos transtornos alimentares. Não fica difícil entender porque muitas vezes você não sabe bem quando tem fome, ou sente-se inchada depois de uma refeição normal.

Muitas vezes você pode ter pensamentos  e sentimentos que parecem surgir espontaneamente, só que eles sempre surgiram de um pensamento anterior. Ex: “Comi demais, não consigo me controlar”. Esse tipo de pensamento vai desencadear sentimentos e ações poderosas que surgem tão rápido (necessidade de vomitar) que você não tem consciência do pensamento, parece que é automático.

Mas você pode mudar ou deter este pensamento, conhecendo-o, pode mudar o sentimento e/ou para  a reação (vomitar, ter ataque de compulsão). Para aumentar a consciência interoceptiva você tem que aprender a ter conscientização (tornar consciente, conhecer entender). Através da conscientização você vai ter um controle cada vez maior desses processos de pensamento.

Muitas vezes os seus pensamentos são conscientes, mas falsos (são ilusões).

  Se você comer, o volume gástrico aumenta e você pode ter uma sensação de plenitude gástrica (estomago cheio). Quando isso acontece você pode dizer para si mesma:  “Meu estomago está cheio”, “engordei”, “tenho que vomitar”. Só que o seu estomago vai se dilatar tanto com uma garrafa de 500 ml de água, ou de sopa de legumes (embora isso não engorde),e, daí você vai pensar   “engordei”, por causa da sensação de estomago cheio, e, daí vai “precisar” vomitar. Daí a necessidade de “ensinar” a interpretar as suas sensações e experiências, isso é chamado de restauração. Para isso você deve identificar o maior numero possível de comportamentos e sensações. Daí a importância do diário alimentar. Outra maneira de recuperar essa consciência interoceptiva é “graduar a sua fome”.  Para isso você vai aplicar a técnica dos seis pontos.

  1. Espere, permita e aceite que a fome apareça

  2. Quando a fome chegar, pare, espere e deixe-a acontecer

  3. Concentre-se naquilo que vai comer AGORA no presente

  4. Classifique seu nível de fome  de 0 a 10. Observe-o

  5. Se alimente de acordo com o seu nível de fome

  6. Auto avalie o seu nível de satisfação de 0 a 10 

  É perfeitamente normal a confusão em que você se encontra com relação a sua fome e satisfação. Não se preocupe está é uma situação momentânea que vai passar.

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173   

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SATISFAÇÃO CORPORAL

Bruchon-Schweitzer (1990), ao analisar as diferentes representações do corpo, identificou dentre os quatro invariantes funcionais do corpo a Satisfação Corporal, que é a dimensão avaliativa predominante quando alguém confronta os desempenhos do seu corpo com as suas necessidades, desejos e expectativas. Sendo a satisfação corporal uma variável intermediaria entre os fenômenos motivacionais e processos cognitivos, constituindo um elemento estabilizador do auto conceito e da auto-estima.

A satisfação corporal é um processo de desenvolvimento continuo e ativo, que s se reestrutura permanentemente,influenciada por um conjunto de experiências sensoriais.A importância das relações sociais, culturais e fisiológicas, são determinantes para  sua formação.

Um estudo feito no Rio de Janeiro com 844 adultos mostrou que, os dois sexos, especialmente as mulheres, estão freqüentemente insatisfeitos com seu peso corporal, já que apenas 22% dos homens e 15% das mulheres desejavam manter seu peso corporal atual relatado e a maioria dos indivíduos dos dois sexos desejava perder peso. Ao relatarem os valores de peso e altura, em geral, houve uma tendência a superestimar a altura e subestimar o peso, o que indica novamente que, nem sempre as pessoas se vêem como realmente são.

 

Como as pessoas se vêem e como são?

No estudo realizado por Araújo (2003) a respeito da satisfação com o peso atual revelou resultados interessantes a respeito da auto-imagem do brasileiro. Veja a seguir:

- Há uma grande insatisfação com o peso corporal e percepção distorcida, para ambos os sexos, sendo mais intensa entre as mulheres.


- As mulheres adultas tendem a se considerar com excesso de peso quando, na verdade, possuem pesos corporais compatíveis com suas respectivas alturas.


- A maioria das mulheres obesas percebem o excesso de peso e se mostram insatisfeitas com o corpo.


- As adolescentes do ensino médio desejam pesar 4,8kg a menos do peso real;


- 1% das mulheres do estudo relatou ter anorexia e bulimia


- Já os rapazes possuem uma auto-imagem corporal mais compatível com o seu peso real estando mais satisfeitos do que as mulheres;


- Alguns jovens desejam pesar mais e apresentar músculos mais desenvolvidos;


- Os adultos desejam perder peso e a indesejada “barriga”.


- 75% das pessoas que não estava satisfeita com o peso era sedentária.

 

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173   

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 como as mulheres encaram a beleza ?

Uma pesquisa mundial mostra como as mulheres encaram a beleza, os padrões estabelecidos pela mídia e seus efeitos na sociedade

Na ânsia de se enquadrar nos atuais padrões de beleza, milhares de pessoas travam uma busca insaciável pela perfeição física. Para obter o corpo escultural e a aparência jovial, enfrentam cirurgias plásticas, experimentam os mais variados tipos de tratamento, alteram hábitos alimentares, entre tantas outras alternativas.

Mas o que é ser bonita? Será que essa busca incessante significa sempre saúde e bem-estar ou se dá apenas pela necessidade de alcançar o padrão estabelecido?

Salvador Dali: Maquette of the scenery for 'Labyrinth'Para obter respostas reais a essas perguntas e saber mais sobre beleza, auto-estima e os efeitos da mídia no universo feminino, Dove, marca da Unilever, encomendou uma pesquisa global à empresa StrategyOne, com coordenação das doutoras Nancy Etcoff, cientista, psicóloga e professora da Harvard University (EUA), e Susie Orbach, psicanalista da London School of Economics e autora de nove livros.

Envolvendo 3.200 mulheres, entre 18 e 64 anos de idade, de dez países (entrevistas realizadas entre fevereiro e março de 2004), EUA, Canadá, Inglaterra, Itália, França, Portugal, Holanda, Brasil, Argentina e Japão, o estudo identifica os componentes dos novos padrões de beleza, incluindo felicidade, relacionamento, autoconhecimento e cuidados pessoais. E conclui que as mulheres estão mais propícias a estarem satisfeitas com suas vidas e seu bem-estar. No entanto, um número muito baixo delas se define como 'bela'.

A maioria das mulheres está insatisfeita com sua beleza e atratividade física. Para elas o peso e a forma do corpo ainda incomodam. As mulheres japonesas têm o maior índice de insatisfação física (59%), seguidas pelas brasileiras (37%), inglesas e norte-americanas (36%), argentinas (27%) e holandesas (25%). Não é à toa que o ranking de países que mais fazem plástica no mundo, em todas as idades, tem Estados Unidos, México e Brasil, consecutivamente, nas primeiras colocações. As informações são da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (Isaps - International Society of Aesthetic Plastic Surgery), com dados referentes a 2003.

O Brasil possui um dos menores índices de satisfação com a beleza. Apenas 1% das mulheres se descreve como 'bonita', e 6% como 'bela'. O único país abaixo desse índice é o Japão, com 0%. Além disso, o Brasil é um dos países que mais valoriza as modelos: 13% afirmam que só as 'top-models' são verdadeiramente bonitas.

A pesquisa mostra que 54% das brasileiras já considerou submeter-se a cirurgia plástica e 7% relatam ter feito algum tipo de intervenção, a taxa mais alta entre os países pesquisados.

'Hoje em dia, a mulher média compara seus dotes genéticos com os de algumas poucas modelos escolhidas a dedo. Apesar da beleza surreal, a mídia insiste que essa beleza é alcançável por meio de trabalho árduo, esforço e a compra do produto certo. No passado, invejávamos nossos vizinhos, porque este era o mundo que conhecíamos. Deve ter sido um pouco mais confortante: uma coisa é vencer o concurso local de beleza, outra é ser confrontada com o 1% 'top' do mundo', afirma a pesquisadora Nancy Etcoff. Para ela, a mídia é, de certa forma, responsável pelo aumento da insatisfação das pessoas com seus corpos, ao retratar e destacar apenas tipos exuberantes de físico.

Como parte inicial da metodologia da pesquisa, foi desenvolvida uma revisão literária sobre beleza. Para que o estudo ganhasse 'corpo' e pudesse se encaixar nos diferentes padrões mundiais, foram analisadas pesquisas acadêmicas, artigos jornalísticos, internet e diversas publicações.

Este trabalho possibilitou uma melhor compreensão global do assunto e revelou alguns dados tão curiosos como alarmantes. Um artigo no jornal ´Time Asia`, de 2001, por exemplo, relata que as chinesas estão se submetendo a cirurgias para extensão das pernas por acreditarem que isso as ajudaria no mercado de trabalho. Em Israel, pesquisadoras concluíram que a anorexia nervosa aumentou assustadoramente, provavelmente como conseqüência das mudanças culturais e a influência dos valores ocidentais. Outro estudo analisado mostrou que culturas isoladas adotaram rapidamente padrões ocidentais, uma vez expostas à televisão.

No British Journal of Pyscghiatry, em 2002, pesquisadores da Harvard Medical School descobriram que as mulheres das Ilhas Fiji - expostas à televisão - aumentaram drasticamente o desejo por dietas. A Dra. Anne Becker, chefe da pesquisa, entrevistou dois grupos de meninas de Fiji algumas semanas antes da chegada da televisão, em 1995, e depois, novamente em 1998. Na primeira parte do estudo, a dieta foi classificada como um conceito 'não familiar'. Três anos depois, 69% das meninas tinham se submetido a dietas, três quartos se sentiam 'muito grandes ou gordas' e um oitavo sofria de bulimia. O estudo conclui que 'o impacto da televisão parece ser especialmente profundo, dadas as antigas tradições culturais que anteriormente pareciam proteger contra dietas, purgação e insatisfação corporal no País'.

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Dicas para melhorar a sua auto-imagemM

  A seguir você vai encontrar sugestões para melhorar a sua auto imagem, que é um aparte importante do processo de recuperação. TODOS devem sentir-se bem com o seu corpo, não importando o tamanho ou forma que ele tenha.

Dicas para melhorar a sua auto-imagem:

  Lembre-se que as pessoas que REALMENTE  a amam; amam você por VOCÊ ,não por o que você parece ser.

Lembre-se que aparência saudável é algo positivo. Isso significa estar bem descansada (não forçar seu corpo alem do seu limite), se alimentar de maneira saudável e ter tranqüilidade (esquecer o perfeccionismo exagerado). Isso não significa nada mais, nem nada menos do que isso .

Lembre-se da diversificação do mundo. Nós todos somos diferentes e, supostamente o mundo foi criado dessa forma. Seria incrivelmente aborrecido se nos todos fossemos exatamente iguais. Essa é uma verdadeira especial experiência. Existe beleza em cada um, e, esta idéia básica, inclui VOCÊ.

 Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173

Copyright©2003  GATDA   Todos os Direitos Reservados

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Efeitos terapêuticos do uso de técnicas de conscientização corporal em pacientes com transtornos alimentares

 Autora: Valéria Lemos Palazzo

Pacientes com transtornos alimentares freqüentemente apresentam dificuldades no nível da percepção. Bruch (1973) observou que estes indivíduos apresentam déficits na consciência interoceptiva e são incapazes de perceber e interpretar corretamente processos corporais. Mesmo aqueles que respondem positivamente a intervenção primaria padrão: farmacológica, nutricional, e psicológica (abordagem cognitivo-construtivista); continuam a apresentar sintomas na área da percepção. Buscando uma complementação aos tratamentos existentes propomos e aplicamos a um grupo de pacientes, que já haviam respondido de modo satisfatório a parte inicial do tratamento, algumas técnicas de sensibilização e conscientização corporal como relaxamento, método Feldenkrais e outros. Após 12 semanas observou-se através de entrevistas e testes: Eating Disorders Inventory (EDI) e do Body Shape Questionnaire (BSQ) que estes pacientes apresentaram uma significativa melhora em vários aspectos da autopercepção como a da sensação da fome, de características alexitímicas como diferenciação dos estados emocionais, e da auto-avaliação da imagem corporal. Pelos resultados deste pré-estudo sugerimos o aprofundamento do tema através da realização de outras pesquisas e a possível futura inclusão destas técnicas como complemento do tratamento dos transtornos alimentares.

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FOTOTERAPIA E TRANSTORNOS ALIMENTARES

O uso da chamada fototerapia nos transtornos alimentares, particularmente no caso da anorexia aonde existe uma disfunção da imagem corporal, aparece como um "instrumento" a mais na construção da, ou melhor na reconstrução da imagem corporal. Como não existem grandes avanços na área da imagem corporal nos pacientes com transtornos alimentares. Podemos nos utilizar desta técnica de maneira experimental. Sabe-se que em uma foto não temos apenas o aspecto visível, o que nos interessaria. Porque, desta maneira, alguém que se "visse" como gorda, embora esteja extremamente magra, ao se "ver" em uma fotografia perceberia a sua magreza. Porem um outro aspecto envolvido em uma foto (imagem), seriam os aspectos invisíveis, as evocações e significados que a foto suscita na mente de cada observador. Sendo que este observador mantém intacto o seu sentido de visão, mas não o da percepção. A maneira como ele vai se perceber nesta foto, pode não ter nada a ver com o que ele vê. Se há sensação deficiente (ou distorcida) no sentido "invisível" da percepção, o que será experimentado então ao olhar uma foto, será profundamente estranho, o equivalente quase inexprimível a estar cego ou surdo. Se o sentido de percepção estiver muito comprometido ( o que é variável), o corpo se tornará, cego para si mesmo, e como sugere a raiz latina-propius, deixará  de possuir a si próprio, de se sentir como si mesmo. Por isso a fototerapia pode ser benéfica para alguns pacientes, enquanto que outros permanecerão "cegos", e por isso incapazes de "verem" o que um retrato é capaz de revelar.

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173

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Bibliografia

-  Garner MD and Garfunkel PE – 1979 The Eating  Attitudes Test. Psychological Medicine, 9: 273-279

- Laumer U, Bauer M, Fichter M, Milz H University at Regensburg -The Therapeutic Effects of the Feldenkrais Method "Awareness Through Movement" in Patients with Eating Disorders

- Damasio, A.R. "Disorders in Visual Processing", in M.M Mesulam (1985),pp.259-88

- Kertez, A. "Visual Agnosia. The dual deficit of perception and recognition". Cortex (1979); 403-19

-2004 -- A study on PhotoTherapy. S.H. Park : Masters Thesis, Photography, Graduate School of Design, EWHA Women's University, Seoul , Korea .

-2003 -- Photography in therapy. I. Durovic: Final Thesis, Diploma of "Art Therapy / Art Pedagogy", Fachhochschule Ottersberg , Bremen , Germany .

 

-2003 -- Photo Therapy: Applications in Palliative Care. M. Chapin: Course paper, Online PhotoTherapy Continuing Education Course, American Art Therapy Association, Mundelein , IL .

-1999-- Self-portraiture: An application of photography as a therapeutic art. N. Wiltshire: Bachelors Thesis, Photographic Arts, University of Wales , Newport , Wales .  

-Toro, J., e Vilardell, E. (1987). Anorexia nerviosa. Barcelona: Martínez Roca.

-Leon, G. R., Fulkerson, J. A., Perry, C. L., e Early, Z. M. B. (1995). Prospective analysis of personality and behavioral vulnerabilities and gender influences in the later development of disordered eating. Journal of Abnormal Psychology, 104(1) 140-149.

-SÊNECA, L. A. Cartas a Lucilio. Trad. J. A. Segurado e Campos. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1991.

-ARAUJO. D.S.M.S, ARAUJO, C.G.S, Autopercepção e insatisfação com peso corporal independem da freqüência da atividade física, Arq. Bras. de Cardiologia, vol. 80, n 3, 225 – 42, RJ, 2003

Imagens

Picasso,Pablo: "Femme Devant Mirror"

Salvador Dali: "The antropomorphic cabinet"

Salvador Dali Maquette of the scenery for 'Labyrinth'