DISTÚRBIOS
ALIMENTARES: O QUE A FAMÍLIA PRECISA SABER:
Admita que tem um problema grave em casa. A negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. Raramente um paciente se queixa da perda de peso.
Em geral o doente desconfia dos médicos e terapeutas e os encara como inimigos.
Saiba que a taxa de mortalidade e complicações físicas são altas.
As vezes as melhoras iniciais não representam avanços concretos.
Cada dia de atraso no tratamento, pode representar um risco no aumento da cronificação do quadro.
Geralmente a família sofre porque não consegue ajudar, e o doente porque não quer ser ajudado.
A necessidade de controlar o peso e a alimentação, bem como os cuidados para que o doente tome a medicação certa e não a errada (diuréticos, laxantes, anorexigenos e hormônios tireoidianos), são batalhas diárias.
As recaídas e o isolamento social são muito freqüentes.
Raramente o tratamento vai até o final com o mesmo médico ou terapeuta que diagnosticou a doença. A pressão dos pacientes em mudar de profissionais, associada a ansiedade das famílias em ter resultados rápidos, faz com que a troca de profissionais responsáveis pelo tratamento ocorra com freqüência o que retarda o processo.
Deixe claro que você se preocupa. Demonstre que a sua preocupação está relacionada com a saúde física e emocional da pessoa. Deixe claro para o paciente que se trata de salvar sua vida, quer ele queira ou não, você sempre vai estar ao seu lado e participar do seu processo de tratamento.
Os grupos para pais podem oferecem um marco de segurança para os pais, já que proporcionam o desenvolvimento de sentimentos de auto-estima, afetividade e esperança para os pais, também funcionam como um "guia" aonde os pais tanto recebem e trocam informações tanto com os terapeutas quanto com outros pais. O grupo de pais não é uma solução para o transtornos alimentar de um filho, mas pode ser considerado como uma "ferramenta eficiente e útil ao tratamento". Lewis y Mac Guire (1985)
A terapia familiar permite uma reestruturação da organização familiar, a modificação das estratégias de confronto entre pais e filhos, e a "correção" da comunicação disfuncional entre os membros da família.Na terapia familiar também se busca a autonomia e diferenciação entre seus membros.
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AS
DUVIDAS MAIS COMUNS DOS PAIS
ESTAMOS DIANTE DE UMA DOENÇA?
Ultimamente você tem observado algumas condutas que não sabe como qualificar.
Sua filha pode estar fazendo uma dieta que não difere muito daquela que suas
colegas do colégio fazem.
Talvez esteja menos comunicativa, não faz mais refeições com a família, ou
passe muito tempo na academia de ginástica.
Pensamos que estas atitudes por si só, não representam nada com que nos
preocuparmos.
Alem disso, muitas vezes minimizamos alguns sinais de alerta.
Não existe duvida de que preferimos que "tudo esteja bem" e seguimos
nos comportando como se tudo realmente estivesse “bem”.
Na realidade, todos devem estar atentos, e sempre que existirem duvidas
consultar um especialista
É
UM "CAPRICHO"?
Esta é a pergunta feita pelos pais que acreditam que o comportamento da sua
filha deve ser "isso mesmo". Apenas um capricho, uma mania de
adolescente.
Estamos diante de filhas que sempre se comportaram, de maneira “normal”,
"como se espera", nunca causaram problemas
Muitas vezes existe uma alteração na personalidade, às vezes são hostis e
agressivas, e a harmonia familiar se abala.
Os pais sempre devem prestar atenção a estas mudanças de comportamento.
DEVEM
SER PROBLEMAS DE ADOLESCÊNCIA?
Muitos pais pensam que esta situação se reverterá com o passar do tempo, que
é apenas circunstancial.
Seu interesse por "ficar magra" não difere da maioria das pessoas.
Pensam: “Afinal, não deve ser nada demais, porque todas as garotas fazem
dietas”.
“São questões de saúde",
pensamos. Por que então não colaborar preparando a "comida especial"
que ela nos pede?
A maioria evita confrontos e aceita.
O que pode ter de mal?
O QUE EU FIZ DE "MAL"
PARA QUE ISSO ACONTECESSE? QUEM É O CULPADO?
Chegamos ao ponto em que a situação é quase insustentável. Os pais não
sabem o que se passa com eles, o que se passa com sua filha, e com sua família.
Pensam que tudo está um caos, mas não sabem o que está acontecendo.
Então se perguntam: “O que fizemos de errado?”; “Aonde falhamos?”.
SE EU FALAR COM MINHA FILHA, ELA ENTENDERÁ E MUDARÁ DE ATITUDE?
Esta é uma das ultimas tentativas para reverter à situação. Lamentavelmente
não dá resultado.
Sua filha não reconhece que esta doente, não tem consciência da doença. Por
isso não quer se curar. Só alguém que se “percebe” doente, busca a cura.
Você não deve se esforçar no sentido de tentar “convencer” sua filha.
O melhor caminho é buscar uma solução efetiva através da busca de um
especialista.
Este é o caminho mais seguro para se preservar a saúde:
O DIAGNOSTICO E TRATAMENTO PRECOCE DO PROBLEMA.
MINHA
FILHA TEM
ANOREXIA?
Em geral os pais nos perguntam se algumas condutas das suas filhas são na
realidade "caprichos de adolescentes", se obedecem "a
crises de identidade" ou se são "comuns a todas as garotas".
Muitas vezes não associamos algumas atitudes que isoladamente não são
importantes, mas que em seu conjunto podem confirmar uma Patologia Alimentar
grave: a "ANOREXIA NERVOSA".
Resumiremos brevemente algumas alterações físicas que a doença produz,
atitudes frente à comida típicas da anorexia, e também condutas sociais
próprias da doença.
É oportuno salientar que quem sofre de Anorexia não reconhece estar
doente, tem um medo intenso de aumentar de peso e "se vêem" gordas.
Estas três razões básicas se potencializam e dão como resultado uma obsessão
por emagrecer que não tem limites.
É necessário então aprender a detectar a doença.
Não duvidamos que conhecer a Anorexia, e aceitar que sua filha possa ser vitima
desta doença, seja o primeiro passo para o tratamento.
MINHA FILHA TEM BULIMIA?
A BULIMIA NERVOSA é uma doença que pode ser chamada de
"segredo que mata".
É muito difícil detecta-la, porque na maioria dos casos não existe um peso significantemente
baixo para chamar a atenção, como no caso da anorexia.
As condutas patológicas "altamente secretas" daqueles que têm a doença,
não permitem perceber com facilidade um sinal de alerta que nos indique uma
possível doença.
“O comer escondido" nos
impede de detectar os atos de voracidade.
“A compulsão" é uma conduta
que se prática "escondido".
O abuso de laxantes,vômitos, diuréticos e/ou anorexígenos também se oculta.
Mas: Quem detecta estas condutas?
A bulimia nos esconde os seus atos. Frente aos outros come normalmente ou
faz dieta, então, a família se encontra "fora" do problema, o
desconhecem, e por conseqüência, não podem oferecer ajuda.
Devemos então nos converter em observadores, prestar atenção a mínimos
detalhes que podem ser reveladores, devemos aprender a detectar a bulimia.
Não duvidemos que a percepção precoce facilita a recuperação.
O conselho é claro e o repetiremos toda vez que seja necessário:
“Consulte um especialista".
Este é sem duvida o caminho mais seguro, mas o que é que devemos
observar para descobrir a doença?
Para facilitar a tarefa descreveremos o perfil da paciente anorexia e da bulimia,
os sinais físicos e clínicos, as atitudes frente à comida, a conduta
social, aspectos da personalidade e outras características.
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OS
ARGUMENTOS MAIS COMUNS DE UMA FILHA DOENTE
A "verdade universal" que todo doente de Anorexia ou Bulimia proclama
é muito difícil de rebater para quaisquer pais, por isso devemos prestar atenção
especial na frase:
“Estou bem", isto é o que
elas afirmam. E esta é à base da sustentação da doença. Também merecem uma
breve análise as argumentações que comumente utilizam para justificar
as condutas patológicas
Abaixo consideramos algumas delas:
“ESTOU
SAUDÁVEL. NÃO ESTOU DOENTE”
Temos que levar em conta que a paciente não tem consciência da doença. Alem
disso pode apresentar algum grau de distorção da imagem corporal (se "vê"
gorda, e quanto mais magra, mais gorda "se vê") .
O medo de engordar esta presente. E a combinação de todos estes fatores,
resulta em uma atitude defensiva, frente à possibilidade de qualquer tipo de
alternativa terapêutica de tratamento, que "a engorde".
Diante desta situação, ela sempre negará a doença, e nunca estará disposta
a uma consulta com o médico, psicólogo, ou com o nutricionista.
A esta altura compreendemos que a família deve buscar assistência
especializada apesar da negativa da paciente.
Não espere. Busque um diagnóstico correto.
“QUERO
ENGORDAR, MAS...”
Se sua filha esta com um peso muito baixo, você deve ficar mais alarmado. No
seu desespero, provavelmente você insiste que ela coma, ainda que seja apenas
um pouco. Seguramente as suas brigas e ameaças serão inúteis. Ela
continua se vendo gorda e continuará com a sua dieta. Sem duvida, pode
acontecer que ela reconheça que esteja fraca, e afirme que esta fazendo esforços
para aumentar de peso, porem sem resultados. Em certas ocasiões, até poderá
se alimentar diante da família para sustentar a sua teoria. Portanto estejam
atentos: quantos períodos de jejum ou de pouca alimentação se alternam com os
de alimentação "normal”? Existem algum tipo de atitude purgativa que
pode ser detectada?
Se a situação persistir, procure ajuda médica.
“A COMIDA ME "CAI" MAL”. “NÃO ESTOU BEM DO ESTOMAGO”
Esta desculpa pode servir para justificar os jejuns ou a alimentação
insuficiente. Algumas vezes, os pais angustiados podem recorrer a uma série de
especialistas, realizando todo tipo de exames com resultados negativos. Diante
disso a paciente pode insistir com seu mal “imaginário”, e se recusar a
comer.
Investigue. Não aceite nenhum tipo de justificativa para a falta de alimentação.
“AGORA
SOU VEGETARIANA”
Com o aparente propósito de levar uma vida “saudável”, a paciente decide
suprimir alguns alimentos. Sempre aqueles que considera que tenham o maior valor
calórico. Ao mesmo tempo passa a priorizar outros alimentos com baixo teor calórico.
Desta forma, algumas se transformam
Lembramos
que uma alimentação saudável é variada, equilibrada e completa. E qualquer
mudança nos hábitos alimentares deve ser acompanhada da orientação de um
nutricionista.
“MINHAS
ATIVIDADES ME IMPEDEM DE
As tarefas escolares, o trabalho, as atividades extracurriculares, as provas,
tudo isso pode ser utilizado como argumento para não se comer
“TENHO
DIFICULDADE DE IR NO BANHEIRO, POR ISSO TOMO LAXANTES”
Não se deixe enganar. Se existe um problema procure a avaliação e orientação
de um médico, não incentive a auto medicação. Nem permita que seu filho, se
auto medique.
“NÃO SOU MAIS CRIANÇA PARA QUE ME CONTROLEM”.
Em nome de um “amadurecimento” e da liberdade, a paciente, pode estar
tentando ocultar suas condutas e persistir nos seus hábitos.
”NÃO
QUERO QUE NINGUÉM ENTRE NO MEU QUARTO”
Com
certeza todo adolescente, assim como toda pessoa tem direito a privacidade. Você
não precisa se transformar em uma espécie de detetive, mas deve estar atento
ao “ambiente” da sua filha, porque este “ambiente” pode revelar muito
sobre o seu comportamento. Muitas vezes no quarto podem ser encontrados restos
de comida e/ou embalagens de alimentos. Estes também podem ser “camuflados”
em outros pacotes de lixo. Também podem ser encontrados laxantes e diuréticos,
que muitas vezes não se encontram tão “escondidos” quanto se pensaria.
"NÃO"
AOS TRATAMENTOS
"Estou bem" ; "estou melhor"; “prometo que vou comer”.
Estas são algumas afirmações que se repetem com freqüência. Diante desta
situação, deve-se responder com firmeza. Não se deve ser cúmplice da doença.
Muitas vezes estas frases refletem exatamente o desejo dos pais: que a doença
tivesse “ido embora”, que tudo não passou de uma “fase”. Mas não se
engane: distúrbios alimentares, não “passam” sem tratamento.Se algum tipo
de tratamento já foi iniciado, não se deve permitir que ele seja abandonado.
Se, não iniciou nenhum tratamento, deve começar já. Não aceite qualquer
argumento que adie esta decisão. Encare o problema. Você tem um compromisso
com seus filhos.
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Os Transtornos Alimentares e a Família

Uma
família que se defronta com um membro afetado por um transtorno alimentar se
transforma no local propicio para a falta de comunicação, silêncios
dolorosos, recriminações tardias, sentimentos de culpa e freqüentes promessas de mudanças. Por isso a família jamais deve ser “culpada” da doença. Mas
sim reconhecer a responsabilidade de si mesma no problema. Este reconhecimento da
família
como “parte” e não “causa” da doença faz
parte do processo de tratamento do paciente.
A família como núcleo básico da sociedade tem como responsabilidade realizar uma releitura critica da sociedade moderna. Isso pode ser muito difícil, quando a própria mãe apresenta uma identidade baseada em valores e padrões distorcidos de beleza. Logo isto fará com que apropria filha desta mulher cresça equivocada com relação a sua confiança e sentido de identidade.
A comunicação familiar é algo amplamente propagado como necessário. E realmente o é. Porem a maioria das famílias se “comunica” de maneira inadequada e/ou truncada. Impedindo que qualquer membro pertencente a ela expresse o que sentem internamente, como se a manifestação “livre” fosse algo “incomodo”. Neste tipo de família, aparentemente não existem “brigas” (externas), porque se premia a docilidade.
Vigora um sistema aonde
todos seus membros devem cumprir certos deveres e obrigações, sem protestar,
contestar, e muito menos discutir. Os filhos afetados podem passar a sofrer de
um distanciamento emocional, sendo incapazes de confrontar a dor, a raiva, e os
sentimentos “intensos”. Diante desta dinâmica familiar, os sentimentos e
necessidades se transformam em algo “ruim”, que não se comenta. Mas todo
este “esforço” (em nome de uma aparente “tranqüilidade”), só reprime
os sentimentos, mas não faz com que eles simplesmente “desapareçam”.
Muitos destes filhos que vivem este tipo de “circunstancia” familiar
desenvolvem uma baixa auto estima. Como vamos reconhecer e “enfrentar”
nossos próprios sentimentos diante de uma estrutura “macro” (a vida social)
se na “micro” sociedade em que vivemos (a família) somos, de certa forma,
impedidos de nos expressarmos de maneira franca e sincera diante de pessoas de
confiança? Uma das respostas é que encontramos outras maneiras “menos
normais”, menos saudáveis e menos diretas de nos expressarmos, porque como a
água, os sentimentos encontram uma saída de uma ou outra forma.
O
envolvimento e “tratamento” da própria família é fundamental porque ao se
confrontarem com um transtorno alimentar, a própria família estará diante da
sua própria fragilidade. Quando uma filha é afetada por um transtorno
alimentar, a própria estrutura da família é abalada. Muitos pais não
suportam a dor e se acusam mutuamente. Os irmãos podem sentir-se desprotegidos
pelos pais, que concentram sua atenções no doente. Porem se a família
conseguir separar a doente da doença, compreendendo que ela (sua filha) é
muito mais que a própria doença, deixando a culpa de lado, mas se
responsabilizando e se envolvendo na responsabilidade de participar do
tratamento. Toda esta família sairá fortalecida e transformada. Isto pode se
reverter em uma melhoria das ralações intrafamiliares e o respeito da
individualidade de cada um dos seus membros.
Texto: Valéria Lemos Palazzo Psicóloga CRP 06/35173
Quando
alguém com um distúrbio alimentar recusa ajuda
Não é incomum que as
pessoas com distúrbios alimentares resistam ou recusem o tratamento. Em conseqüência,
os sintomas da anorexia, da bulimia, ou dos outros distúrbios alimentares
podem permanecer por meses ou mesmo anos antes que os pacientes sintam-se
prontos para a mudança. Estas pessoas são geralmente "pressionados"
por parentes, por amigos, ou por colegas de trabalho para que procurem
ajuda, e fazem isso, freqüentemente ,com relutância e ressentimento.
Por que os pacientes resistem o tratamento?
Existem muitas razões para recusar o tratamento. Alguns não pensam que têm um
distúrbio alimentar, e sentem como se sua família ou amigos, exagerassem
o problema ou , como se estivessem confundido os sintomas.
Outros podem estar bem
cientes que estão se esforçando mas estão envergonhados de seus
sintomas e com receio de serem descobertos. Muitos temem os efeitos potenciais
do tratamento, tais como o ganho do peso ou a interferência com sua pratica
(freqüentemente exagerada) de exercícios; por isso restringem o consumo de
alimentos e/ou perdem o peso.
Pacientes de risco
Em alguns casos, os médicos devem considerar tratamento imposto mesmo quando o
paciente resiste ativamente. Os indivíduos que podem estar em alto risco
incluem: (1) pacientes jovens que desenvolveram recentemente
sintomas; (2) pacientes que estão no perigo imediato por causa das conseqüências
médicas da doença ou do risco do suicídio; e (3) aqueles com sintomas
rapidamente crescentes.
Quando os médicos
decidem "requisitar" o tratamento, acreditam inteiramente que o
tratamento será benéfico. Muitos pacientes nestas situações são prováveis
beneficiários mesmo que não reconheçam.
Quando o tratamento é
imposto, o que vai confrontar os desejos de uma pessoa, as conseqüências podem
ser grandes. Assim, os médicos pesam com cuidado os benefícios potenciais
contra todos os riscos antes de começar. Às vezes, controles físicos e químicos
são usados, junto com alimentação parental e limitação da atividade física.
Com tais ajustes, os pacientes freqüentemente são afetados profundamente e em
conseqüência evitam um tratamento mais adicional.
Considerações legais
Todos as jurisdições têm leis que apóiam os direitos dos indivíduos; assim,
é um direito individual recusar o tratamento. Os menores e outros indivíduos
que são julgados "incompetentes" (um significado legal do termo que
uma pessoa é mentalmente incapaz de fazer suas próprias decisões) podem ter o
seu direito de recusar tratamento negado.
Circunstâncias De Risco
Dependendo das circunstâncias, os indivíduos com distúrbios alimentares podem
apresentar um risco eminente de vida . Estas circunstâncias pedem uma avaliação
e resposta da emergência. Embora os profissionais médicos possam identificar
uma situação da emergência em andamento, é difícil detectar uma crise médica
iminente. Dado as taxas elevadas de suicídio nos pacientes com distúrbios
alimentares, uma avaliação cuidadosa do risco de suicídio deve ser
considerada.
Recomendações
Por causa de muitas conseqüências quando um paciente não quer ser tratado, e
também dos efeitos nas famílias, os profissionais de saúde usam freqüentemente
um processo cuidadoso a fim de convencer o paciente aceitar ser tratado, antes
de procurar meios legais realizar isto.
1. Primeiramente, faça a
tentativa para que o paciente concorde com a necessidade de procurar ajuda
voluntariamente
2. Explore as razões
pelas quais o paciente está resistindo ao tratamento. Pode ser um medo do
desconhecido ou podem ter preconceitos com tratamentos psicológicos ou
psiquiátricos (Ex: "isso é só para louco").Ou mais freqüentemente,
a recusa a ser tratada é causada primeiramente por um distúrbio cognitivo ou
por coisas como o medo de ganhar o peso.
3. Antes do tratamento
começar, pode facilitar um tipo de intervenção prévia . Durante estas
sessões, em grupo, se fornece informações aos pacientes e aos membros
da família, identifica-se os objetivos do tratamento, conversa-se sobre
interesses que um interesse específico que o paciente possa ter. Também
explica-se porque um determinado tratamento é recomendado, e o que é.
Isto ajuda a realçar a motivação para a mudança.
4. Envolver a família em
uma plano realista do tratamento geralmente melhora os efeitos da
terapia. O GATDA usa uma aproximação com a família que seja útil em
solucionar os conflitos da família e da resistência ao tratamento. Com a
terapia , a família é incentivada e motivada para desenvolver uma história
pessoal sobre a recuperação. Esta aproximação adapta o tratamento às
características originais de cada família.
5. As negociações podem
ser necessárias. A fim de promover a saúde e a segurança do paciente, os
profissionais podem necessitar fazer mudanças na proposta inicial do
tratamento. Os indivíduos com distúrbios alimentares são mais prováveis de
responder ao tratamento realizado por um profissional que seja flexível.
6. Todos os planejamentos
do tratamento devem minimizar o uso de intervenções ,mais agressivas, tais
como uma internação hospitalar involuntária.Sempre que possível devem ser
utilizados os programas do tipo hospital-dia, ou tratamento residencial, ao invés
do tratamento hospitalar involuntário.
7. Uma percepção
realista com relação ao resultado provável do tratamento ajudará a
guiar o profissional com relação à um planejamento racional do tratamento. O
tratamento imposto deve ser considerado somente quando os benefícios possíveis
compensam os riscos da intervenção.
8. A relação de poder
entre o paciente e o terapeuta ( ou outro membro da equipe de tratamento)
geralmente piora os sintomas e pode destruir a relação terapêutica. Os
pacientes que sentem-se pressionados podem se irritar, parar de cooperar ,
ou retirar-se. É importante para profissionais estabelecerem uma relação de
respeito e evitar ameaças ou o criticas destrutivas. O tratamento sempre
deve aumentar a auto-estima do paciente.
9. Devido aos riscos
potenciais, concorda-se geralmente que os meios legais de impor o tratamento
devem ser reservados para os casos em que não fazer nada conduziria a um perigo
sério e imediato.
10. Os pacientes que se
vivem há muito tempo com um distúrbio alimentar necessitam freqüentemente uma
aproximação diferente daquela utilizada para os doentes m ais recentes. A doença
crônica pode indicar que o paciente seja particularmente mais resistente ao
tratamento.
11. A recusa ou a resistência
ao tratamento podem ser vistas como um processo evolucionário. Certamente, os
indivíduos que recusam o tratamento no início podem mais tarde aceitá-lo. O
reconhecimento gradualmente crescente do impacto negativo de um distúrbio
alimentar na vida de uma pessoa é acompanhado geralmente por um desejo para se
recuperar.
|
Uma pessoa com
um distúrbio alimentar deve ser tratado, mesmo se existe recusa,
quando alguns dos seguintes sinais e sintomas aparecem:
|
Os critérios de ingresso para tratamento em regime de internação hospitalar aceitos pela maioria dos autores são:
Falha no tratamento ambulatorial
Cronicidade
Estado físico grave: desnutrição severa (perda de 30% do peso prévio), graves desequilíbrios eletrolíticos, complicações orgânicas importantes e vômitos repetidos
Necessidade de isolamento familiar em situações aonde ocorrem disfunções familiares que podem complicar o quadro
Necessidade de meios assistenciais adequados para garantir o cumprimento terapêutico e a aplicação de terapias conducionistas, se a gravidade do quadro requer.
Caso se precise de um tratamento integral da comorbidade psiquiátrica
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COMO OS IRMÃOS PODEM AJUDAR NO TRATAMENTO
Irmãos podem ter suas diferenças e até mesmo "viverem brigando", mas eles podem auxiliar no processo de recuperação.
Os irmãos e irmãs são tão úteis no processo de recuperação como os pais. Alias, o relacionamento entre irmãos aonde um deles tem algum tipo de distúrbio alimentar, deve ser tão valorizado no processo terapêutico quanto o relacionamento entre os pais e os filhos. Por isso sempre que possível, é indesejável que os irmãos participem do processo de tratamento. Muitos irmãos reagem de maneira cooperativa ao s envolverem no processo da irmã ou irmão doente.
Se os irmãos forem mais novos, é muito importante que sejam informados do que está acontecendo com a irmã ou irmão. Uma criança muito nova, ao passar por um problema como esse, que envolve toda uma dinâmica familiar, pode sentir que é parte ou causadora direta do problema.Por isso as crianças não devem ser excluídas, não pense que seus filhos mais novos, "não irão entender nada,e, por isso é melhor não contar nada".
Muitas
crianças ao presenciarem uma irmã ou irmão, por exemplo, vomitando ou
emagrecendo demais, podem erroneamente imaginarem que seu irmã ou irmão está
"morrendo". Mesmo sabendo que essas doenças são fatais, no imaginário
infantil, a sua irmão, pode estar com câncer por exemplo.
Por
que devem os irmãos e as irmãs devem ser incluídos no tratamento?
Os irmãos ajudam a esclarecer a dinâmica e as interações
familiares.Os irmãos ajudam a compreender e esclarecer interações passadas e
atuais da família. Auxiliam a esclarecer como essa família
"funciona". Desta maneira, podem agir como "orientadores' para o
desenvolvimento do processo terapêutico, em especial quando as relações entre
os membros da família permanecem não resolvidas.
Os
irmãos podem auxiliar muito no tratamento especialmente quando não existe um
relacionamento fortalecido entre os pais, mas existe um relacionamento bem
estruturado entre os filhos. Muitas vezes os irmãos são a base de sustentação
da família. Uma surpresa é que uma ajuda real e genuína pode ser fornecida
por aqueles irmãos de quem se esperaria menos ajuda -- por exemplo, uma
irmã "introvertida e calada" que está tendo os seus próprios
problemas pode, muitas vezes auxiliar a irmã ou irmão com problema.
Deve-se
compreender a posição de cada irmão dentro da família e pedir que todos
participem expressando as suas opiniões. Se por alguma razão prática, os irmãos
não puderem vir às sessões de tratamento da pessoa, podemos estabelecer um
canal de comunicação com elas, entrevistando-as no telefone ou pedindo que
escrevam o que sentem e pensam sobre o assunto. Os princípios e objetivos do
tratamento são explicados em sessões separadas. Geralmente os irmãos
compreendem muito bem o significado do distúrbio alimentar e dos seus efeitos
sociais e familiares. Compreendendo o que está acontecendo e aprendendo sobre o
tratamento, os irmãos podem também agir como o "co-participantes" do
tratamento, começando envolvendo-se na família e nas discussões,
ou expressando mais livremente suas opiniões sobre a familiar
Os
irmãos que têm vidas independentes ao manterem um contato positivo com os pais
podem agir como "modelos" para ajudar os pacientes a fazerem a transição
freqüentemente difícil do estágio infantil para o de adulto
independente.
Embora
nós o foquemos somente alguns aspectos da inclusão dos irmãos no
tratamento, a conclusão está em aberto: nós podemos aprender muito dos irmãos
e das irmãs. Eles certamente nos ajudam a aprofundar nossa compreensão de distúrbios
alimentares e, conseqüentemente podemos ampliar o campo de e ação e o
potencial do tratamento.
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de
desenvolverem este distúrbio.Os estudos de Anorexia Nervosa em gêmeos descobriram taxas de concordância
para gêmeos monozigóticos(55%) significativamente maiores do que para gêmeos
dizigóticos. A boa notícia é que somente algumas irmãs de
meninas com anorexia também se tornam anorexias.Os distúrbios alimentares
parecem atuar nas famílias, mas nós ainda não sabemos porque algumas irmãs são
afetadas quando outras não são. Um estudo recente de 45 pares de irmãs
forneceu alguns indícios. Nesse estudo, aqueles com anorexia se diferem de suas
irmãs saudáveis em diversas maneiras. Primeiramente, eram mais
perfecccionistas e/ou sentiam uma maior necessidade de corresponder aos desejos
dos seus pais. Alem disso, tiveram problemas de alimentação quando eram crianças.
Filhas que desenvolveram distúrbios alimentares, também relataram que seus
pais tiveram expectativas mais elevadas em relação à elas, e que eram
altamente competitivas com suas irmãs. Muitas relataram que pensavam que sua
irmã era a favorita dos seus pais e/ou, eram mais atraentes do que elas.
Nos casos aonde existiam irmãs com anorexia, os relatos de abuso sexual foram
mais freqüentes. Não havia nenhuma diferença genética marcante entre as irmãs
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A resistência à terapia
também é chamada de “não
adesão”.
Podemos
perceber este problema através dos mais diversos comportamentos, como atrasos,
não realização de tarefas, adiamentos, sedução, pedir favores pessoais, até
a recusa explicita em cooperar.
A
resistência pode ser fruto do receio do
paciente e/ou família em abandonar o comportamento e formas de pensar
familiares e conhecidas, ou de precisar interagir de forma diferente entre si e
mudar suas atitudes.
Outro
problema é a falta de motivação, o negativismo e a resistência passiva.
O
abandono se caracteriza explicitamente contra o terapeuta ou implicitamente
cancelando sessões ou não renovando as próximas.
Existem
dois tipos de “não resposta”.
Refrataria:
pacientes que não tem nenhuma resposta ao tratamento
Parcialmente responsivas:
Pacientes que permanecem com bulimia
em menor grau, ou, alternando períodos de melhora e piora.
Outro
problema acontece geralmente porque a maioria dos doentes não adota esse papel,
sendo portanto ambivalentes e
resistindo as mudanças propostas.
Dados demonstraram que aproximadamente 60% das pacientes abandonam o tratamento no prazo máximo de 6 meses. Quanto menor a idade que iniciou o comportamento maior a probabilidade de abandonar o tratamento. Quem apresenta episódios de depressão também apresenta uma maior probabilidade em abandonar o tratamento. A taxa de abandono, naquelas que apresentavam ansiedade severa foi de quase 100%.
É
um mito dizer que a paciente abandona o tratamento espontaneamente por estar
melhor e necessitar despender o tempo da consulta em outras atividades.
As
pacientes abandonam o tratamento por não melhorar; seja por falta de interesse
em parar os episódios bulimicos e comportamentos compensatórios (fazer muito
exercício, usar laxantes e/ou diuréticos,
ou remédios para emagrecer), ou incapacidade de conseguir isto ou por algum
outro tipo de pressão externa (social ou familiar).
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NÃO se sentir culpado. Não
existem pais perfeitos, mais sim bem intencionados. Os relacionamentos
familiares são apenas uma parte da historia do transtorno alimentar, além
disso, em qualquer caso, o PASSADO É PASSADO. O importante é saber
que o que você pode fazer AGORA para ajudar
sua filha.
NÃO permitir que a comida seja
uma “arma”.
NÃO fale sobre o seu aspecto físico,
não diga
coisas como: “Você esta magra demais” ou “Você engordou,e ficou
muito bem assim”, qualquer comentário pode aumentar a sua obsessão com o
aspecto corporal
NÃO permitir que a preocupação
pelo problema da sua filha, “retire”
a sua atenção pelo seu casamento. Fazer com que o distúrbio seja o
centro das atenções reforça e prolonga o problema.
NÃO “mimar”. Demonstre
compreensão mas não super proteja.Ela necessita ter a oportunidade de ser
responsável e independente.
NÃO permitir que seja ela quem
determina horários e/ou atividades da família. Uma família, deve
“funcionar” em conjunto
NÃO
“troque” de papeis com
sua filha.
NÃO se deixe manipular
Não valorize demais a forma física nos outros nem em você
mesmos
Não
tenha altas expectativas para
sua filha, a maioria das
pacientes com anorexia é proveniente de famílias com alto padrão de
desempenho, e altas expectativas para seus filhos.
Demonstre através de atos e palavras que você
a ama e respeita, mas assegure-se de que ela entenda que você também tem a
sua vida
Dê a ela a oportunidade de ter
responsabilidades na medida em que esteja preparada (sem pressionar
prematuramente)
Combata o perfeccionismo, nela, e em você.
Seja paciente e viva somente o presente (para
isso você precisa dominar a sua ansiedade). Recuperar-se
de um distúrbio alimentar leva tempo, se você coloca toda a sua
atenção no dia em que ela estiver recuperada (lembre-se que este é um
comportamento da sua própria ansiedade, que faz com
que a pessoa “viva" sempre lá na frente), o tempo parecerá
mais longo.
Reconheça e respeite as idéias e opiniões
dela, mesmo que elas sejam diferentes das suas, mas tenta fazer isso, como
faz com outro adulto com quem se troca impressões.
Busque apoio para você mesma.
Seja um “modelo”,expressando suas emoções
e sentimentos. Quem apresenta
distúrbios alimentares, como a anorexia, tem uma dificuldade de expressar
seus sentimentos. A expressão emocional é refreada.
Os pais devem se mostrar unidos,e não emitir
comportamentos diferentes. Se existem opiniões diferentes, discuta sem a
presença do paciente. Diante dela vocês devem ter uma mesma opinião.
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É importante ser honesta, direta e
compreensiva. Use sempre o EU , ao invés de VOCÊ. Sente-se e
explique exatamente o que você tem notado, sem omitir detalhes. Diga a
pessoa que você esta realmente preocupada com o que esta acontecendo. Você
pode dizer: “me parece que talvez você tenha um distúrbio alimentar, ou
problemas com a comida”. Apóie mas não tente ser seu terapeuta. Sugira
ajuda profissional, dê varias opções (nutricionista, psicólogo, grupo e
apoio, endocrinologista, homeopata, etc.. Sempre ofereça a sua companhia.
Se ela resiste ser ajudada ou nega o problema, é possível que não esteja
preparada para admitir que tem um problema. Não ajude a negar com o seu
silencio. Fale das coisas
que você observa e que te preocupam. Você não pode obriga-la a procurar
ajuda. No entanto pode dizer aonde. Reafirme sempre que esta disposta
falar sobre o problema, mas só se ela quiser, e quando quiser.
Não se concentre no tema alimentação e/ou
peso. A família, os parentes, ou amigos bem intencionados, tendem a se
“envolver” demais com os problemas da pessoa com anorexia. Lembre-se que
os distúrbios alimentares se centram em temas de controle,e
se você tenta controlar a pessoa
com anorexia, ela sempre ganhará.
Não tente manipula-la com subornos,
recompensas, castigos ou culpa. Nenhuma destas táticas funciona. O apoio
é a chave. Tanto se a pessoa esta em tratamento, como se não esta, não
cometa o erro de tentar mudar o seu comportamento. Que seja ela que o faça,
ela é a única capaz de faze-lo. A mudança não se dá do dia para a
noite. Se você “implica” em excesso perde a credibilidade.
Se você conseguir que a pessoa se
responsabilize pelo seu comportamento, enquanto a trata com dignidade e
compreensão, é muito mais improvável que esta busque ajuda e inicie a
mudança.
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COMO SE EXPRESSAR DIANTE DE ALGUÉM DOENTE
Ignorar
ou evitar o problema não ajuda. Pessoas que se recuperam de um transtorno
alimentar dizem que foi muito importante que sua família e amigos
continuaram sempre ao seu lado, dizendo e repetindo sempre as mesmas frases
de apoio e encorajamento, porque em um determinado ponto, estas mensagens
foram entendidas.
Utilize uma aproximação calma,sem confrontos, que demonstre apoio, mas que seja direta e firma. Escolha momentos de calma, ou pelo menos evite aqueles em que estiverem brigando para poder falar. Dê alguns exemplos de comportamentos que estão deixando você preocupado, usando declarações como:
"Estou
preocupada com você, porque você se recusa a comer o café da manha e o
almoço"
"Eu ouvi você vomitando no banheiro; isso me assusta. Vamos procurar ajuda".
"Me
desculpe mais eu não vou mais deixar você fazer tudo o que quer, porque
eu sinto como se estivesse ajudando você a se destruir".
Explique
que você sente que estes comportamentos podem significar que ela(e), tem um
problema e precisa de ajuda profissional. Ofereça-se para acompanha-la na
sua primeira consulta médica.
Evite
a batalha do "deveria". Caso ela(e) se recuse
a reconhecer o problema, relembre seus sentimentos e razões para isso. Permaneça
aberto e disponível para ouvi-la(o) e apoiá-la(o). Por exemplo: "Eu
sei que você pensa que eu não deveria me preocupar e que eu deveria cuidar
da minha própria vida. Mas eu me preocupo. E é assim que eu me sinto como
mãe e/ou pai. Na realidade, para resolver aquilo que me preocupa eu
procurei um médico e um terapeuta".
Dar
apoio para a pessoa doente, não significa ser manipulado por ela. Pessoas
com transtornos alimentares frequentemente negam o seu problema, especialmente
nos primeiros estágios da doença. Até quando eles admitam para si mesmos,
podem continuar negando o problema para os outros, por medo de serem
forçados a realizarem algum tipo de tratamento, antes deles mesmos estarem
prontos para "abandonarem" os hábitos da doença.
Evite
declarações
de "acusação":
"Você
tem que comer alguma coisa!"
"Você
esta fora de controle, deve estar maluca(o)!"
Evite soluções simplistas: "Porque você simplesmente não para de vomitar?", "Assim tudo vai ficar bem".
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Evite temas de conversa relacionados unicamente com a comida, e, com o aspecto físico do paciente e a sua saúde. Estes assuntos devem ser tratados com o terapeuta e/ou com o médico.
Na família, os pais são as pessoas que devem decidir os menus; devem perguntar ao paciente a sua opinião sobre o tema; mas, não deixar toda decisão sobre “o que comer” nas suas mãos.
Procure variar os menus, para que a paciente esteja mais bem nutrida, e evite que ela possa se concentra somente em alguns alimentos que podem tornar a alimentação um “ritual”.
Site de um pai que perdeu sua filha vitima de anorexia e bulimia
Transcrito do site de Carlos Alberto Peixoto:
"Esta página tem por finalidade orientar as jovens que estão entrando no caminho do rápido emagrecimento, sem orientação médica, e que poderão ingressar num labirinto sem volta.
No
dia 20 de maio de 1999 nós perdemos a nossa filha, vítima da anorexia e da
bulimia. Desde então, procuramos nos informar sobre as doenças e firmamos um
propósito de auxiliar todos aqueles que porventura enfrentam o problema em seus
lares e carecem de maiores informações à respeito, o que, infelizmente,
aconteceu conosco.
Graças às nossas pesquisas, já fomos procurados por centenas de jovens e pais
que, desesperados, às vezes, nos procuram para obter orientação de como
proceder para salvar suas (seus) filhas(os).
A alegria é imensa quando recebemos o retorno, alguns meses mais tarde, de que a(o) filha(o) está se recuperando; aceitando o tratamento e aumentando de peso. A nossa satisfação é tal que a cada resultado positivo vamos reduzindo aquele sentimento de culpa que nos acompanha desde o triste acontecimento que vitimou a nossa filha Paula"
RUBENS: "Family of Jan Brueghel the Elder"
PICASSO, PABLO: " Ruiz y Family"
Bibliografia:
Lewis, H. L., y Mac Guire, M. P. (1985). Review of a group for parents of anorecties. Journal of Psychiatric Research, 19, 453-458.
Garner D, Inventario de trastornos de la conducta
alimentaria. Madrid, TEA editores, 1998:8-17.
Baeza I. Trastornos alimentarios: Bulimia nerviosa.
Práctica Psiquiátríca, 1999 (1):6-7.
García Rodríguez F. Las adoradoras de la delgadez.
Anorexia nerviosa.Madrid. Editoríal Díaz de Santos,
1993:79-89.