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RUBENS: "Family of Jan Brueghel the Elder"

 

 

DISTÚRBIOS ALIMENTARES: O QUE A FAMÍLIA PRECISA SABER:

 

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AS DUVIDAS MAIS COMUNS DOS PAIS

 

       ESTAMOS DIANTE DE UMA DOENÇA?


Ultimamente você tem observado algumas condutas que não sabe como qualificar.
Sua filha pode estar fazendo uma dieta que não difere muito daquela que suas colegas do colégio fazem.
Talvez esteja menos comunicativa, não faz mais refeições com a família, ou passe muito tempo na academia de ginástica.
Pensamos que estas atitudes por si só, não representam nada com que nos preocuparmos.
Alem disso, muitas vezes minimizamos alguns sinais de alerta.
Não existe duvida de que preferimos que "tudo esteja bem" e seguimos nos comportando como se tudo realmente estivesse “bem”.
Na realidade, todos devem estar atentos, e sempre que existirem duvidas consultar um especialista

 

       É UM "CAPRICHO"?


Esta é a pergunta feita pelos pais que acreditam que o comportamento da sua filha deve ser "isso mesmo". Apenas um capricho, uma mania de adolescente.
Estamos diante de filhas que sempre se comportaram, de maneira “normal”, "como se espera", nunca causaram problemas em casa. E agora, repentinamente, tem atitudes inesperadas para os pais.
Muitas vezes existe uma alteração na personalidade, às vezes são hostis e agressivas, e a harmonia familiar se abala.
Os pais sempre devem prestar atenção a estas mudanças de comportamento.

 

      DEVEM SER PROBLEMAS DE ADOLESCÊNCIA?


Muitos pais pensam que esta situação se reverterá com o passar do tempo, que é apenas circunstancial.
Seu interesse por "ficar magra" não difere da maioria das pessoas. Pensam: “Afinal, não deve ser nada demais, porque todas as garotas fazem dietas”.
 “São questões de saúde", pensamos. Por que então não colaborar preparando a "comida especial" que ela nos pede?
A maioria evita confrontos e aceita.
O que pode ter de mal?

O QUE EU FIZ DE "MAL" PARA QUE ISSO ACONTECESSE? QUEM É O CULPADO?


Chegamos ao ponto em que a situação é quase insustentável. Os pais não sabem o que se passa com eles, o que se passa com sua filha, e com sua família.
Pensam que tudo está um caos, mas não sabem o que está acontecendo.
Então se perguntam: “O que fizemos de errado?”; “Aonde falhamos?”. 


SE EU FALAR COM MINHA FILHA, ELA ENTENDERÁ E MUDARÁ DE ATITUDE?


Esta é uma das ultimas tentativas para reverter à situação. Lamentavelmente não dá resultado.
Sua filha não reconhece que esta doente, não tem consciência da doença. Por isso não quer se curar. Só alguém que se “percebe” doente, busca a cura.
Você não deve se esforçar no sentido de tentar “convencer” sua filha.
O melhor caminho é buscar uma solução efetiva através da busca de um especialista.
Este é o caminho mais seguro para se preservar a saúde:
O DIAGNOSTICO E TRATAMENTO PRECOCE DO PROBLEMA.

 

MINHA FILHA TEM ANOREXIA?


Em geral os pais nos perguntam se algumas condutas das suas filhas são na realidade  "caprichos de adolescentes", se obedecem "a crises de identidade" ou se são "comuns a todas as garotas".
Muitas vezes não associamos algumas atitudes que isoladamente não são importantes, mas que em seu conjunto podem confirmar uma Patologia Alimentar grave: a "ANOREXIA NERVOSA".
Resumiremos brevemente algumas alterações físicas que a doença produz, atitudes frente à  comida típicas da anorexia, e também condutas sociais próprias da doença.
É oportuno salientar que quem sofre de Anorexia  não reconhece estar doente, tem um medo intenso de aumentar de peso e "se vêem" gordas.
Estas três razões básicas se potencializam e dão como resultado uma obsessão por emagrecer que não tem limites.
É necessário então aprender a detectar a doença.
Não duvidamos que conhecer a Anorexia, e aceitar que sua filha possa ser vitima desta doença, seja o primeiro passo para o tratamento.

 


MINHA FILHA TEM BULIMIA?


A BULIMIA NERVOSA é uma doença que pode ser chamada de   "segredo que mata".
É muito difícil detecta-la, porque na maioria dos casos não existe um peso significantemente baixo para chamar a atenção, como no caso da anorexia.
As condutas patológicas "altamente secretas" daqueles que têm a doença, não permitem perceber com facilidade um sinal de alerta que nos indique uma possível doença.
 “O comer escondido" nos impede  de detectar os atos de voracidade.
 “A compulsão" é uma conduta que se prática "escondido".
O abuso de laxantes,vômitos, diuréticos e/ou anorexígenos também se oculta.
Mas: Quem detecta estas condutas?
A bulimia nos esconde os seus atos. Frente aos outros come normalmente ou faz dieta, então, a família se encontra "fora" do problema, o desconhecem, e por conseqüência, não podem oferecer ajuda.
Devemos então nos converter em observadores, prestar atenção a mínimos detalhes que podem ser reveladores, devemos aprender a detectar a bulimia.
Não duvidemos que a percepção precoce facilita a recuperação.
O conselho é claro e o repetiremos toda vez que seja necessário:
 “Consulte um especialista".
Este é sem duvida o caminho mais seguro, mas o que é que devemos  observar para descobrir a doença?
Para facilitar a tarefa descreveremos o perfil da paciente anorexia e da bulimia, os sinais físicos e clínicos, as atitudes frente à  comida, a conduta social, aspectos da personalidade e outras características.  

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OS ARGUMENTOS MAIS COMUNS DE UMA FILHA DOENTE


A "verdade universal" que todo doente de Anorexia ou Bulimia proclama é muito difícil de rebater para quaisquer pais, por isso devemos prestar atenção especial na frase:
 “Estou bem", isto é o que elas afirmam. E esta é à base da sustentação da doença. Também merecem uma breve análise as argumentações que comumente utilizam para justificar  as condutas patológicas
Abaixo consideramos algumas delas:

“ESTOU SAUDÁVEL. NÃO ESTOU DOENTE”


Temos que levar em conta que a paciente não tem consciência da doença. Alem disso pode apresentar algum grau de distorção da imagem corporal (se "vê" gorda, e quanto mais magra, mais gorda "se vê") .
O medo de engordar esta presente. E a combinação de todos estes fatores, resulta em uma atitude defensiva, frente à possibilidade de qualquer tipo de alternativa terapêutica de tratamento, que "a engorde".
Diante desta situação, ela sempre negará a doença, e nunca estará disposta a uma consulta com o médico, psicólogo, ou com o nutricionista.
A esta altura compreendemos que a família deve  buscar assistência especializada apesar da negativa da paciente.
Não espere. Busque um diagnóstico correto.

 

“QUERO ENGORDAR, MAS...”


Se sua filha esta com um peso muito baixo, você deve ficar mais alarmado. No seu desespero, provavelmente você insiste que ela coma, ainda que seja apenas um pouco. Seguramente as suas brigas e ameaças serão inúteis.  Ela continua se vendo gorda e continuará com a sua dieta. Sem duvida, pode acontecer que ela reconheça que esteja fraca, e afirme que esta fazendo esforços para aumentar de peso, porem sem resultados. Em certas ocasiões, até poderá se alimentar diante da família para sustentar a sua teoria. Portanto estejam atentos: quantos períodos de jejum ou de pouca alimentação se alternam com os de alimentação "normal”? Existem algum tipo de atitude purgativa que pode ser detectada? 
Se a situação persistir, procure ajuda médica.

A COMIDA ME "CAI" MAL”. “NÃO ESTOU BEM DO ESTOMAGO”


Esta desculpa pode servir para justificar os jejuns ou a alimentação insuficiente. Algumas vezes, os pais angustiados podem recorrer a uma série de especialistas, realizando todo tipo de exames com resultados negativos. Diante disso a paciente pode insistir com seu mal “imaginário”, e se recusar a comer.
Investigue. Não aceite nenhum tipo de justificativa para a falta de alimentação.

 “AGORA SOU VEGETARIANA”


Com o aparente propósito de levar uma vida “saudável”, a paciente decide suprimir alguns alimentos. Sempre aqueles que considera que tenham o maior valor calórico. Ao mesmo tempo passa a priorizar outros alimentos com baixo teor calórico. Desta forma, algumas se transformam em vegetarianas. Defendem a sua postura de uma alimentação saudável e começam a restringir cada vez mais a variedade de alimentos que integram a sua alimentação. Preferem cada vez mais alimentos com poucas calorias.

Lembramos que uma alimentação saudável é variada, equilibrada e completa. E qualquer mudança nos hábitos alimentares deve ser acompanhada da orientação de um nutricionista.

 

“MINHAS ATIVIDADES ME IMPEDEM DE COMER EM CASA”


As tarefas escolares, o trabalho, as atividades extracurriculares, as provas, tudo isso pode ser utilizado como argumento para não se comer em casa. Sabe-se hoje em dia que a maioria dos adolescentes tem uma vida atribulada, mas devemos procurar compreender que as refeições em família permitem que você conheça a forma como seus filhos se alimentam.Alem de proporcionar um “espaço” para a comunicação familiar. Muitas vezes as “atividades” são usadas como desculpas com o objetivo de que os pais não vejam a forma como ele se alimenta (para comer escondido, ou mesmo, não comer).

 

TENHO DIFICULDADE DE IR NO BANHEIRO, POR ISSO TOMO LAXANTES”


Não se deixe enganar. Se existe um problema procure a avaliação e orientação de um médico, não incentive a auto medicação. Nem permita que seu filho, se auto medique. 


“NÃO SOU MAIS CRIANÇA PARA QUE ME CONTROLEM”.


Em nome de um “amadurecimento” e da liberdade, a paciente, pode estar tentando ocultar suas condutas e persistir nos seus hábitos. 


NÃO QUERO QUE NINGUÉM ENTRE NO MEU QUARTO”

Com certeza todo adolescente, assim como toda pessoa tem direito a privacidade. Você não precisa se transformar em uma espécie de detetive, mas deve estar atento ao “ambiente” da sua filha, porque este “ambiente” pode revelar muito sobre o seu comportamento. Muitas vezes no quarto podem ser encontrados restos de comida e/ou embalagens de alimentos. Estes também podem ser “camuflados” em outros pacotes de lixo. Também podem ser encontrados laxantes e diuréticos, que muitas vezes não se encontram tão “escondidos” quanto se pensaria.

 


"NÃO" AOS TRATAMENTOS


"Estou bem" ; "estou melhor"; “prometo que vou comer”. Estas são algumas afirmações que se repetem com freqüência. Diante desta situação, deve-se responder com firmeza. Não se deve ser cúmplice da doença. Muitas vezes estas frases refletem exatamente o desejo dos pais: que a doença tivesse “ido embora”, que tudo não passou de uma “fase”. Mas não se engane: distúrbios alimentares, não “passam” sem tratamento.Se algum tipo de tratamento já foi iniciado, não se deve permitir que ele seja abandonado. Se, não iniciou nenhum tratamento, deve começar já. Não aceite qualquer argumento que adie esta decisão. Encare o problema. Você tem um compromisso com seus filhos. 

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Os Transtornos Alimentares e a Família

Uma família que se defronta com um membro afetado por um transtorno alimentar se transforma no local propicio para a falta de comunicação, silêncios dolorosos, recriminações tardias, sentimentos de culpa e freqüentes promessas   de mudanças. Por isso a família jamais deve ser “culpada” da doença. Mas sim reconhecer a responsabilidade de si mesma no problema. Este reconhecimento da família como “parte” e não “causa” da doença faz parte do processo de tratamento do paciente. Na terapia familiar e/ou nos encontros realizados nos grupos de pais, as “feridas” da família, cicatrizam paralelamente as da pessoa afetada pelo transtorno alimentar. A família também deve conhecer as crenças erradas que tem sobre os transtornos alimentares, reconhecendo que estas mantêm dentro de si, profundas complicações biopsicosociais. Muitos pais têm dificuldade me entender que sua filha com anorexia, não deseja ser como uma “modelo”. Ela deseja emagrecer “até morrer”.

A família como núcleo básico da sociedade tem como responsabilidade realizar uma releitura critica da sociedade moderna. Isso pode ser muito difícil, quando a própria mãe apresenta uma identidade baseada em valores e padrões distorcidos de beleza. Logo isto fará com que apropria filha desta mulher cresça equivocada com relação a sua confiança e sentido de identidade.

A comunicação familiar é algo amplamente propagado como necessário. E realmente o é. Porem a maioria das famílias se “comunica” de maneira inadequada e/ou truncada. Impedindo que qualquer membro pertencente a ela expresse o que sentem internamente, como se a manifestação “livre” fosse algo “incomodo”. Neste tipo de família, aparentemente não existem “brigas” (externas), porque se premia a docilidade.

Vigora um sistema aonde todos seus membros devem cumprir certos deveres e obrigações, sem protestar, contestar, e muito menos discutir. Os filhos afetados podem passar a sofrer de um distanciamento emocional, sendo incapazes de confrontar a dor, a raiva, e os sentimentos “intensos”. Diante desta dinâmica familiar, os sentimentos e necessidades se transformam em algo “ruim”, que não se comenta. Mas todo este “esforço” (em nome de uma aparente “tranqüilidade”), só reprime os sentimentos, mas não faz com que eles simplesmente “desapareçam”. Muitos destes filhos que vivem este tipo de “circunstancia” familiar desenvolvem uma baixa auto estima. Como vamos reconhecer e “enfrentar” nossos próprios sentimentos diante de uma estrutura “macro” (a vida social) se na “micro” sociedade em que vivemos (a família) somos, de certa forma, impedidos de nos expressarmos de maneira franca e sincera diante de pessoas de confiança? Uma das respostas é que encontramos outras maneiras “menos normais”, menos saudáveis e menos diretas de nos expressarmos, porque como a água, os sentimentos encontram uma saída de uma ou outra forma.

O envolvimento e “tratamento” da própria família é fundamental porque ao se confrontarem com um transtorno alimentar, a própria família estará diante da sua própria fragilidade. Quando uma filha é afetada por um transtorno alimentar, a própria estrutura da família é abalada. Muitos pais não suportam a dor e se acusam mutuamente. Os irmãos podem sentir-se desprotegidos pelos pais, que concentram sua atenções no doente. Porem se a família conseguir separar a doente da doença, compreendendo que ela (sua filha) é muito mais que a própria doença, deixando a culpa de lado, mas se responsabilizando e se envolvendo na responsabilidade de participar do tratamento. Toda esta família sairá fortalecida e transformada. Isto pode se reverter em uma melhoria das ralações intrafamiliares e o respeito da individualidade de cada um dos seus membros.  

Texto: Valéria Lemos Palazzo  Psicóloga  CRP 06/35173

 

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Quando alguém com um distúrbio alimentar recusa ajuda

Não é incomum que as pessoas com distúrbios alimentares resistam ou recusem o tratamento. Em conseqüência, os sintomas da anorexia, da bulimia, ou dos outros distúrbios alimentares  podem permanecer por meses ou mesmo anos antes que os pacientes sintam-se prontos para a mudança. Estas pessoas são geralmente "pressionados" por parentes, por amigos, ou por colegas de trabalho  para que procurem  ajuda, e fazem isso, freqüentemente ,com relutância e ressentimento.

Por que os pacientes resistem o tratamento?


Existem muitas razões para recusar o tratamento. Alguns não pensam que têm um distúrbio alimentar, e sentem como se sua família ou amigos, exagerassem  o problema ou , como se estivessem  confundido  os sintomas.

Outros podem estar bem cientes que  estão se esforçando mas estão envergonhados de seus sintomas e com receio de serem descobertos. Muitos temem os efeitos potenciais do tratamento, tais como o ganho do peso ou a interferência com sua pratica (freqüentemente exagerada) de exercícios; por isso restringem o consumo de alimentos e/ou perdem o peso.

Pacientes de risco


Em alguns casos, os médicos devem considerar tratamento imposto mesmo quando o paciente resiste ativamente. Os indivíduos que podem estar em alto risco incluem: (1) pacientes  jovens que  desenvolveram recentemente sintomas; (2) pacientes que estão no perigo imediato por causa das conseqüências médicas da doença ou do risco do suicídio; e (3) aqueles com sintomas rapidamente crescentes.

Quando os médicos  decidem "requisitar" o tratamento, acreditam inteiramente que o tratamento será benéfico. Muitos pacientes nestas situações são prováveis beneficiários mesmo que não reconheçam.

Quando o tratamento é imposto, o que vai confrontar os desejos de uma pessoa, as conseqüências podem ser grandes. Assim, os médicos pesam com cuidado os benefícios potenciais contra todos os riscos antes de começar. Às vezes, controles físicos e químicos são usados, junto com alimentação parental  e limitação da atividade física. Com tais ajustes, os pacientes freqüentemente são afetados profundamente e em conseqüência evitam um tratamento mais adicional.

Considerações legais


Todos as jurisdições têm leis que apóiam os direitos dos indivíduos; assim,  é um direito individual recusar o tratamento. Os menores e outros indivíduos que são julgados "incompetentes" (um significado legal do termo que uma pessoa é mentalmente incapaz de fazer suas próprias decisões) podem ter o seu direito de recusar tratamento negado.

Circunstâncias De Risco


Dependendo das circunstâncias, os indivíduos com distúrbios alimentares podem apresentar um risco eminente de vida . Estas circunstâncias pedem uma avaliação e resposta da emergência. Embora os profissionais médicos possam identificar uma situação da emergência em andamento, é difícil detectar uma crise médica iminente. Dado as taxas elevadas de suicídio nos pacientes com distúrbios alimentares, uma avaliação cuidadosa do risco de suicídio deve ser considerada.

Recomendações


Por causa de muitas conseqüências quando um paciente não quer ser tratado, e também dos efeitos nas famílias, os profissionais de saúde usam freqüentemente um processo cuidadoso a fim de convencer o paciente aceitar ser tratado, antes de procurar meios legais realizar isto.

1. Primeiramente, faça a tentativa para que o paciente concorde com a necessidade de procurar ajuda voluntariamente

2. Explore as razões pelas quais o paciente está resistindo ao tratamento. Pode ser um medo do desconhecido ou podem ter preconceitos com tratamentos psicológicos ou psiquiátricos (Ex: "isso é só para louco").Ou mais freqüentemente, a recusa a ser tratada é causada primeiramente por um distúrbio cognitivo ou por coisas como o medo de ganhar o peso.

3. Antes do tratamento começar, pode facilitar um tipo de  intervenção prévia . Durante estas sessões, em grupo, se fornece  informações aos pacientes e aos membros da família, identifica-se os objetivos do tratamento, conversa-se sobre interesses que um interesse específico que o paciente possa ter. Também explica-se  porque um determinado tratamento é recomendado, e o que é. Isto ajuda a realçar a motivação para a mudança.

4. Envolver a família em uma plano realista do tratamento  geralmente melhora  os efeitos da terapia. O GATDA  usa uma aproximação com a família que seja útil em solucionar os conflitos  da família e da resistência ao tratamento. Com a terapia , a família é incentivada e motivada para  desenvolver uma história pessoal sobre a recuperação. Esta aproximação adapta o tratamento às características originais de cada família.

5. As negociações podem ser necessárias. A fim de promover a saúde e a segurança do paciente, os profissionais podem necessitar fazer mudanças na proposta inicial do tratamento. Os indivíduos com distúrbios alimentares são mais prováveis de responder ao tratamento realizado por um profissional que seja flexível.

6. Todos os planejamentos do tratamento devem minimizar o uso de intervenções ,mais agressivas, tais como uma internação hospitalar involuntária.Sempre que possível devem ser utilizados os programas do tipo hospital-dia, ou tratamento residencial, ao invés do tratamento hospitalar involuntário. 

7. Uma percepção realista com relação ao  resultado provável do tratamento ajudará a guiar o profissional com relação à um planejamento racional do tratamento. O tratamento imposto deve ser considerado somente quando os benefícios possíveis compensam os riscos da intervenção.

8. A relação de poder entre o paciente e o terapeuta ( ou outro membro da equipe de tratamento) geralmente piora os sintomas e pode destruir a relação terapêutica. Os pacientes que sentem-se pressionados  podem se irritar, parar de cooperar , ou retirar-se. É importante para profissionais estabelecerem uma relação de respeito  e evitar ameaças ou o criticas destrutivas. O tratamento sempre deve aumentar a auto-estima do paciente.

9. Devido aos riscos potenciais, concorda-se geralmente que os meios legais de impor o tratamento devem ser reservados para os casos em que não fazer nada conduziria a um perigo sério e imediato.

10. Os pacientes que se vivem há muito tempo com um distúrbio alimentar necessitam freqüentemente uma aproximação diferente daquela utilizada para os doentes m ais recentes. A doença crônica pode indicar que o paciente seja particularmente mais resistente ao tratamento.

11. A recusa ou a resistência ao tratamento podem ser vistas como um processo evolucionário. Certamente, os indivíduos que recusam o tratamento no início podem mais tarde aceitá-lo. O reconhecimento gradualmente crescente do impacto negativo de um distúrbio alimentar na vida de uma pessoa é acompanhado geralmente por um desejo para se recuperar. 


Quando o tratamento da emergência é necessário

Uma pessoa com um distúrbio alimentar deve ser tratado, mesmo se existe recusa, quando alguns dos seguintes sinais e sintomas aparecem:

  • Perda rápida do peso, tal como mais de 8 quilos em um período de 4 semanas

  • Uso descontrolado/exagerado de medicamentos

  • Depressão e/ou sinais que indicam que pode ferir-se

  • Taxa de coração lenta (bradicardia, ou menos de 40 batimentos por minuto)

  • Outros batimentos cardíacos irregulares

  • Esgotamento, exaustão

  • Espasmos musculares dolorosos (tetania)

  • Cansaço Rápido  ao exercitar-se

  • Volume de urina diminuído (menos de 400 centímetros cúbicos ao dia)

  • Desmaios

  • Desequilíbrio severo dos eletrólitos ( geralmente causado por vômitos, e/ou uso de laxantes e diuréticos)

 

Os critérios de ingresso para tratamento em regime de internação hospitalar aceitos pela maioria dos autores são:

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COMO OS IRMÃOS PODEM AJUDAR NO TRATAMENTO

Irmãos podem ter suas diferenças e até mesmo "viverem brigando", mas eles podem auxiliar no processo de  recuperação.

Os irmãos e irmãs são tão úteis no processo de recuperação como os pais. Alias, o relacionamento entre irmãos aonde um deles tem algum tipo de distúrbio alimentar, deve ser tão valorizado no processo terapêutico quanto o relacionamento entre os pais e os filhos. Por isso sempre que possível, é indesejável que os irmãos participem do processo de tratamento. Muitos irmãos reagem de maneira cooperativa ao s envolverem no processo da irmã ou irmão doente. 

Se os irmãos forem mais novos, é muito importante que sejam informados do que está acontecendo com a irmã ou irmão. Uma criança muito nova, ao passar por um problema como esse, que envolve toda uma dinâmica familiar, pode sentir que é parte ou causadora direta do problema.Por isso as crianças não devem ser excluídas, não pense que seus filhos mais novos, "não irão entender nada,e, por isso é melhor não contar nada".

Muitas crianças ao presenciarem uma irmã ou irmão, por exemplo, vomitando ou emagrecendo demais, podem erroneamente imaginarem que seu irmã ou irmão está "morrendo". Mesmo sabendo que essas doenças são fatais, no imaginário infantil, a sua irmão, pode estar com câncer por exemplo.

Por que devem os irmãos e as irmãs devem ser incluídos no tratamento?
Os irmãos ajudam a esclarecer  a dinâmica e as interações  familiares.Os irmãos ajudam a compreender e esclarecer interações passadas e atuais da família. Auxiliam a esclarecer  como essa família "funciona". Desta maneira, podem agir como "orientadores' para o desenvolvimento do processo terapêutico, em especial quando as relações entre os membros da família permanecem não resolvidas.

Os irmãos podem auxiliar muito no tratamento especialmente quando não existe um relacionamento fortalecido entre os pais, mas existe um relacionamento bem estruturado entre os filhos. Muitas vezes os irmãos são a base de sustentação da família. Uma surpresa é que uma ajuda real e genuína pode ser fornecida por aqueles irmãos de quem se esperaria menos ajuda -- por  exemplo, uma irmã "introvertida e calada" que está tendo os seus próprios problemas pode, muitas vezes auxiliar a irmã ou irmão com problema.

Deve-se compreender a posição de cada irmão dentro da família e pedir que todos participem expressando as suas opiniões. Se por alguma razão prática, os irmãos não puderem vir às sessões de tratamento da pessoa, podemos estabelecer um canal de comunicação com elas, entrevistando-as no telefone ou pedindo que escrevam o que sentem e pensam sobre o assunto. Os princípios e objetivos do tratamento são explicados em sessões separadas. Geralmente os irmãos compreendem muito bem o significado do distúrbio alimentar e dos seus efeitos sociais e familiares. Compreendendo o que está acontecendo e aprendendo sobre o tratamento, os irmãos podem também agir como o "co-participantes" do tratamento, começando  envolvendo-se na família e  nas discussões, ou  expressando mais livremente suas opiniões sobre a familiar

Os irmãos que têm vidas independentes ao manterem um contato positivo com os pais podem agir como "modelos" para ajudar os pacientes a fazerem a transição freqüentemente difícil do estágio infantil para o de  adulto independente. Os irmãos podem ser uma força tremenda positiva, mas podem também ser parte do problema. Por  exemplo, um irmão ou irmã, geralmente mais velhos, podem ser extremamente envolvidos ou podem tentar agir como um pai. Ou, ainda pode haver uma rivalidade ou outra dificuldade d de relacionamento entre os irmãos. Cada uma destas áreas do problema é trabalhada individualmente, em sessões especiais.

Embora nós o foquemos somente  alguns aspectos da inclusão dos irmãos no tratamento, a conclusão está em aberto: nós podemos aprender muito dos irmãos e das irmãs. Eles certamente nos ajudam a aprofundar nossa compreensão de distúrbios alimentares e, conseqüentemente podemos ampliar o campo de e ação e o potencial do tratamento.  

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Irmãs com Anorexia Nervosa



O fato é que irmãs de meninas com anorexia nervosa tem um risco aumentado de desenvolverem este distúrbio.Os estudos de Anorexia Nervosa em gêmeos descobriram taxas de concordância para gêmeos monozigóticos(55%) significativamente maiores do que para gêmeos dizigóticos. A boa notícia é que somente algumas irmãs de meninas com anorexia também se tornam anorexias.Os distúrbios alimentares parecem atuar nas famílias, mas nós ainda não sabemos porque algumas irmãs são afetadas quando outras não são. Um estudo recente de 45 pares de irmãs forneceu alguns indícios. Nesse estudo, aqueles com anorexia se diferem de suas irmãs saudáveis em diversas maneiras. Primeiramente, eram mais perfecccionistas e/ou sentiam uma maior necessidade de corresponder aos desejos dos seus pais. Alem disso, tiveram problemas de alimentação quando eram crianças. Filhas que desenvolveram distúrbios alimentares, também relataram que seus pais tiveram  expectativas mais elevadas em relação à elas, e que eram altamente competitivas com suas irmãs. Muitas relataram que pensavam que sua irmã era  a favorita dos seus pais e/ou, eram mais atraentes do que elas. Nos casos aonde existiam irmãs com anorexia, os relatos de abuso sexual foram mais freqüentes. Não havia nenhuma diferença genética marcante entre as irmãs 

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RESISTÊNCIA À TERAPIA

A resistência à terapia  também é chamada de  “não adesão”.

Podemos perceber este problema através dos mais diversos comportamentos, como atrasos, não realização de tarefas, adiamentos, sedução, pedir favores pessoais, até a recusa explicita em cooperar.

A resistência pode ser fruto do receio  do paciente e/ou família em abandonar o comportamento e formas de pensar familiares e conhecidas, ou de precisar interagir de forma diferente entre si e mudar suas atitudes.

Outro problema é a falta de motivação, o negativismo e a resistência passiva.

O abandono se caracteriza explicitamente contra o terapeuta ou implicitamente cancelando sessões ou não renovando as próximas.

Existem dois tipos de “não resposta”.

Outro problema acontece geralmente porque a maioria dos doentes não adota esse papel, sendo portanto ambivalentes  e resistindo as mudanças propostas.

Dados demonstraram que aproximadamente 60% das pacientes abandonam o tratamento no prazo máximo de 6 meses. Quanto menor a idade que iniciou o comportamento maior a probabilidade de abandonar o tratamento. Quem apresenta episódios de depressão também apresenta uma maior probabilidade em abandonar o tratamento. A taxa de abandono, naquelas que apresentavam ansiedade severa foi de quase 100%.

É um mito dizer que a paciente abandona o tratamento espontaneamente por estar melhor e necessitar despender o tempo da consulta em outras atividades.

As pacientes abandonam o tratamento por não melhorar; seja por falta de interesse em parar os episódios bulimicos e comportamentos compensatórios (fazer muito exercício, usar  laxantes e/ou diuréticos, ou remédios para emagrecer), ou incapacidade de conseguir isto ou por algum outro tipo de pressão externa (social ou familiar).  

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  ORIENTAÇÕES PARA  A FAMÍLIA  

  O QUE NÃO FAZER

 

O QUE FAZER/”O SIM”

 

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COMO AJUDAR A SUA FILHA:

 

  1. É importante ser honesta, direta e compreensiva. Use sempre o EU , ao invés de VOCÊ. Sente-se e explique exatamente o que você tem notado, sem omitir detalhes. Diga a pessoa que você esta realmente preocupada com o que esta acontecendo. Você pode dizer: “me parece que talvez você tenha um distúrbio alimentar, ou problemas com a comida”. Apóie mas não tente ser seu terapeuta. Sugira ajuda profissional, dê varias opções (nutricionista, psicólogo, grupo e apoio, endocrinologista, homeopata, etc.. Sempre ofereça a sua companhia. Se ela resiste ser ajudada ou nega o problema, é possível que não esteja preparada para admitir que tem um problema. Não ajude a negar com o seu silencio.  Fale das coisas que você observa e que te preocupam. Você não pode obriga-la a procurar ajuda. No entanto pode dizer aonde. Reafirme sempre que esta disposta  falar sobre o problema, mas só se ela quiser, e quando quiser.

  2. Não se concentre no tema alimentação e/ou peso. A família, os parentes, ou amigos bem intencionados, tendem a se “envolver” demais com os problemas da pessoa com anorexia. Lembre-se que os distúrbios alimentares se centram em temas de controle,e  se você tenta controlar a  pessoa com anorexia, ela sempre ganhará.

  3. Não tente manipula-la com subornos, recompensas, castigos ou culpa. Nenhuma destas táticas funciona. O apoio é a chave. Tanto se a pessoa esta em tratamento, como se não esta, não cometa o erro de tentar mudar o seu comportamento. Que seja ela que o faça, ela é a única capaz de faze-lo. A mudança não se dá do dia para a noite. Se você “implica” em excesso perde a credibilidade.

  4. Se você conseguir que a pessoa se responsabilize pelo seu comportamento, enquanto a trata com dignidade e compreensão, é muito mais improvável que esta busque ajuda e inicie a mudança.  

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COMO SE EXPRESSAR DIANTE DE ALGUÉM DOENTE

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PAUTAS DE COMPORTAMENTO FAMILIAR

 

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Site de um pai que perdeu sua filha vitima de anorexia e bulimia

www.aanorexia.net

Transcrito do site de Carlos Alberto Peixoto:

"Esta página tem por finalidade orientar as jovens que estão entrando no caminho do rápido emagrecimento, sem orientação médica, e que poderão ingressar num labirinto sem volta.

No dia 20 de maio de 1999 nós perdemos a nossa filha, vítima da anorexia e da bulimia. Desde então, procuramos nos informar sobre as doenças e firmamos um propósito de auxiliar todos aqueles que porventura enfrentam o problema em seus lares e carecem de maiores informações à respeito, o que, infelizmente, aconteceu conosco.
Graças às nossas pesquisas, já fomos procurados por centenas de jovens e pais que, desesperados, às vezes, nos procuram para obter orientação de como proceder para salvar suas (seus) filhas(os).

A alegria é imensa quando recebemos o retorno, alguns meses mais tarde, de que a(o) filha(o) está se recuperando; aceitando o tratamento e aumentando de peso. A nossa satisfação é tal que a cada resultado positivo vamos reduzindo aquele sentimento de culpa que nos acompanha desde o triste acontecimento que vitimou a nossa filha Paula"

 

www.aanorexia.net

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  IMAGENS:

RUBENS: "Family of Jan Brueghel the Elder"

PICASSO, PABLO: " Ruiz y Family"

 

 

Bibliografia: 

 

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